Imagem: divulgação/reprodução

No ano 2000 o diretor Giuseppe Tornatore se reúne novamente ao músico Ennio Morricone para mais um filme daqueles que conseguem unir música e imagem de um jeito que deixam os pelinhos dos nossos braços todos em pé, como já haviam feito em Cinema Paradiso.

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Mais uma vez a dupla narra a história de um menino, mas dessa vez ele alcança a maturidade através de um amor. Se antes era o cinema em si, agora o alvo da paixão é a misteriosa e belíssima Malena, personagem da diva italiana Monica Bellucci.

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Nos anos 40, em meio a Segunda Guerra Mundial, Renato, de 12 anos, passa os dias preguiçosos na Sicília sonhando com a viúva Malena, uma mulher cuja a beleza assustadora hipnotiza os homens e gera ciúmes e reações violentas nas mulheres da pequena cidade. Instigado e encantado, o menino narra a trajetória da mulher solitária, que ao mesmo tempo que ostenta uma beleza potente, passa uma fragilidade comovente com seu olhar de devoção.

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A trilha de Enrio Morricone, as paisagens do Sul da Itália e as curvas, o olhar e o figurino de Monica Bellucci fazem do filme uma viagem ainda mais poética por uma época dura, mostrando a transformação de um menino em um homem, além dos preconceitos e as dores que a beleza podem trazer a uma mulher.

Para se encantar, ver e rever… Malena:

O poder transformador da poesia e da amizade marca outro filme inesquecível do cinema italiano, daqueles que com certeza contam na lista de qualquer cinéfilo. O Carteiro e o Poeta é uma obra cujo o lirismo extrapola os limites da tela e acabam nos deixando tão envolvidos que torna-se impossível esquecer.

Numa pequena ilha italiana, um homem semianalfabeto, frágil e inseguro muda sua forma de ver a vida ao conhecer um icônico poeta, personagem idealizado por ele como aquele capaz de feitos heroicos, como conquistar belas mulheres. Ao se candidatar para vaga de carteiro oficial do poeta estrangeiro, Mario começa a ver seu universo expandir com a relação de amizade e admiração que faz surgir entre os dois.

O poeta em questão, o chileno Pablo Neruda, exilado por questões políticas no vilarejo, também é tocado pela nova companhia, ganhando um ouvinte interessado em suas velhas histórias, contos, casos e, claro, sua poesia, que vai aos poucos fazendo do tímido Mario também um poeta capaz de conquistar seu grande amor.

Neruda é interpretado com grandiosidade pelo ator francês Philippe Noiret, o mesmo que já tinha nos arrancado lágrimas como Alfredo em Cinema Paradiso, enquanto o carteiro é vivido pelo italiano Massimo Troisi, também responsável por parte do roteiro, em seu último papel. O ator se recusou a fazer uma operação importante que interromperia as filmagens, morrendo de um ataque cardíaco fulminante no dia seguinte do fim das filmagens.

Poesia e amor à arte do começo ao fim, com vocês, O Carteiro e o Poeta:

A Grande Beleza de Sorrentino

Épica, festiva, apoteótica e bela, a Itália voltou a encher os olhos de todo mundo ao ser retratada em toda sua grandiosidade e opulência em um dos melhores filmes dos últimos anos. A Grande Beleza não esconde a que veio ao mostrar a rotina nada ordinária de um escritor sessentão em suas andanças pela mais alta e fina boêmia de Roma.

A Grande Beleza de Sorrentino

O hedonista Jep Gambardelli é grande flâneur na própria vida, cambaleando entre festas inesquecíveis, belas mulheres e cenários escandalosos, enquanto escreve como crítico de arte para um jornal, depois de alcançar a fama através de um único livro. É difícil não se render ao carisma do personagem, que destila ironia e charme pelo universo pretensioso e muitas vezes vazio do mundo da arte e da alta sociedade italiana, enquanto encara um momento de crise pessoal.

A Grande Beleza de Sorrentino

Escrito e dirigido por Paolo Sorrentino, A Grande Beleza tem perfume de homenagem à Doce Vida de Fellini e A Noite de Antonioni, questionando o quanto a beleza e toda felicidade que cercam as delícias e prazeres da vida podem esconder nas profundezas grande vazios existenciais.

A Grande Beleza de Sorrentino

No mais, o filme se trata de um deleite sensorial completo, imperdível, como as grande obras italianas. Ou como a Itália em si!

 

A Vida é Bela

No finalzinho dos anos 90, o cinema italiano voltou a fazer mágica com nossos corações, lançando mais uma fábula irresistível de amor, dor e poesia.

A Vida é Bela

Quem não se lembra do italiano Guido saudando sua esposa, sempre com doçura e humor em A Vida é Bela, filme de 1997, estrelado e dirigido por Roberto Benigni, que acabou levando o Oscar de melhor filme estrangeiro, no mesmo ano quando jurávamos de pés juntos o Central do Brasil seria o vencedor.

A Vida é Bela

Mas A Vida é Bela é no final das contas uma das obras mais comoventes de todos os tempos, pelo talento único de Benigni que consegue aliar comédia e drama de forma perfeita, em cada gesto, em cada olhar.

A Vida é Bela

O filme conta a história de um pai transformando o dia a dia num campo de concentração nazista num grande faz de conta para que seu filho não perceba os horrores que os cercam. Fantasiando e criando em cima das situações de dor e perigo, Guido faz com que seu filho não entenda a situação real que os cerca, achando que tudo se trata de um esquisito jogo, uma brincadeira.

A Vida é Bela

A obra ainda tem uma lindíssima trilha sonora, que também acabou levando uma estatueta dourada para casa, com uma música que promete não sair da cabeça, assim como o filme. Belo é pouco!

Amarcord | Fellini

Imagem: reprodução

Uma coisa não se pode negar, a Itália sabe rir de si. E transformar suas próprias sombras numa saborosa comédia recheada de cores e personagens fortes, como foi feito no filme Amarcord, mais uma pérola do cinema italiano.

Amarcord | Fellini

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Defendido como o filme mais autobiográfico de Frederico Fellini, Amarcord narra a chegada do fascismo em uma pacata cidade do litoral italiano, muito parecida com a Rimini onde nasceu o diretor, entre personas extravagantes e estereótipos culturais do país, numa mistura deliciosa de drama e humor que é a cara da Itália. A história é contada através dos olhos de Titta, um menino que começa a ver sua cidade mudar com a ordem e a moral impostas pelo novo regime.

Amarcord | Fellini

Imagem: reprodução

Ele espia a vida fluir e se transformar, em meio a pilares italianos como religião, educação, sexo e política, entre os moradores da cidade, o cotidiano e os sonhos que chegam junto com turistas num grande navio.

O filme ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1975 e se eternizou como mais uma grande obra do mestre Fellini, que colocou nos olhos de Titta um pouco de sua infância, de sua criação e de suas fantasias, como bem diz o título, Amarcord, uma abreviação de io me ricordo no dialeto de Rimini… Eu me lembro!

Luz, câmera… e beleza: