Imagem: divulgação/reprodução

E na semana que saíram as indicações para o Oscar de 2018, foi justamente um filme italiano a grande surpresa da temporada, mostrando que o cinema da capital mundial da beleza e dos prazeres ainda tem fôlego para encantar muitas gerações.

Me Chame Pelo Seu Nome é uma história de amor, daquelas delicadas e suaves, que inspiram e tocam em todos nossos sentidos, carregada de beleza e sutilezas. É a história da descoberta de uma paixão em meio a outras descobertas da vida, num cenário estonteante.

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As paisagens do Norte da Itália servem de pano de fundo para o encantamento entre dois jovens. Tudo começa quando o aluno americano Oliver chega para ser orientado pelo pai do jovem italiano Elio. Entre afinidades únicas, amizade e um interessante jogo de sedução, eles se envolvem e cativam quem assiste ao filme, aclamado por todos os países por onde passa.

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O diretor Luca Guadagnino já tinha nos dado indícios de seu talento em Eu sou o Amor, outro belíssimo filme que se passa no Norte da Itália, estrelado por Tilda Swinton, mas parece que agora marcou seu nome definitivamente na indústria, com 4 indicações por Me Chame Pelo Seu Nome. Além de melhor filme e melhor ator pra Timothée Chalamet, ainda concorre a roteiro adaptado (do livro de André Aciman) e melhor canção. Para melhorar, a produção do longa conta com um brasileiro, o Rodrigo Texeira.

Uma beleza!

Beleza roubada

A beleza é sempre um assunto central nas obras cinematográficas italianas, seja como assunto principal, levando o hedonismo a uma potência mais poética como em “A Noite”, de Antonioni, ou no recente “A Grande Beleza”, ou como coadjuvante subjetivo, entre as paisagens ora bucólicas, ora deslumbrantes, nos figurinos e na beleza das atrizes.

Beleza roubada

O filme Beleza Roubada de Bernardo Bertolucci traz o cenário idílico da Toscana e a beleza assombrosa do rosto da atriz americana Liv Tyler como protagonistas, numa ode à inocência, a busca da identidade e aos prazeres de viver.

Numa viagem de volta a uma vila italiana da infância, refazendo sua memória e os caminhos que antes foram percorridos pela sua mãe, Lucy conhece um grupo extravagante que combina americanos, ingleses e jovens italianos. Lá ela descobre coisas importantes sobre seu passado, revela segredos do seu presente e se entrega ao amor.

Beleza roubada

Um belo filme, como não poderia deixar de ser, com uma trilha sonora que marcou época quando foi lançado, em 1996. Para ver ou rever, mas para ser saboreado e apreciado, como as melhores coisas da vida!

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No ano 2000 o diretor Giuseppe Tornatore se reúne novamente ao músico Ennio Morricone para mais um filme daqueles que conseguem unir música e imagem de um jeito que deixam os pelinhos dos nossos braços todos em pé, como já haviam feito em Cinema Paradiso.

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Mais uma vez a dupla narra a história de um menino, mas dessa vez ele alcança a maturidade através de um amor. Se antes era o cinema em si, agora o alvo da paixão é a misteriosa e belíssima Malena, personagem da diva italiana Monica Bellucci.

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Nos anos 40, em meio a Segunda Guerra Mundial, Renato, de 12 anos, passa os dias preguiçosos na Sicília sonhando com a viúva Malena, uma mulher cuja a beleza assustadora hipnotiza os homens e gera ciúmes e reações violentas nas mulheres da pequena cidade. Instigado e encantado, o menino narra a trajetória da mulher solitária, que ao mesmo tempo que ostenta uma beleza potente, passa uma fragilidade comovente com seu olhar de devoção.

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A trilha de Enrio Morricone, as paisagens do Sul da Itália e as curvas, o olhar e o figurino de Monica Bellucci fazem do filme uma viagem ainda mais poética por uma época dura, mostrando a transformação de um menino em um homem, além dos preconceitos e as dores que a beleza podem trazer a uma mulher.

Para se encantar, ver e rever… Malena:

O poder transformador da poesia e da amizade marca outro filme inesquecível do cinema italiano, daqueles que com certeza contam na lista de qualquer cinéfilo. O Carteiro e o Poeta é uma obra cujo o lirismo extrapola os limites da tela e acabam nos deixando tão envolvidos que torna-se impossível esquecer.

Numa pequena ilha italiana, um homem semianalfabeto, frágil e inseguro muda sua forma de ver a vida ao conhecer um icônico poeta, personagem idealizado por ele como aquele capaz de feitos heroicos, como conquistar belas mulheres. Ao se candidatar para vaga de carteiro oficial do poeta estrangeiro, Mario começa a ver seu universo expandir com a relação de amizade e admiração que faz surgir entre os dois.

O poeta em questão, o chileno Pablo Neruda, exilado por questões políticas no vilarejo, também é tocado pela nova companhia, ganhando um ouvinte interessado em suas velhas histórias, contos, casos e, claro, sua poesia, que vai aos poucos fazendo do tímido Mario também um poeta capaz de conquistar seu grande amor.

Neruda é interpretado com grandiosidade pelo ator francês Philippe Noiret, o mesmo que já tinha nos arrancado lágrimas como Alfredo em Cinema Paradiso, enquanto o carteiro é vivido pelo italiano Massimo Troisi, também responsável por parte do roteiro, em seu último papel. O ator se recusou a fazer uma operação importante que interromperia as filmagens, morrendo de um ataque cardíaco fulminante no dia seguinte do fim das filmagens.

Poesia e amor à arte do começo ao fim, com vocês, O Carteiro e o Poeta:

A Grande Beleza de Sorrentino

Épica, festiva, apoteótica e bela, a Itália voltou a encher os olhos de todo mundo ao ser retratada em toda sua grandiosidade e opulência em um dos melhores filmes dos últimos anos. A Grande Beleza não esconde a que veio ao mostrar a rotina nada ordinária de um escritor sessentão em suas andanças pela mais alta e fina boêmia de Roma.

A Grande Beleza de Sorrentino

O hedonista Jep Gambardelli é grande flâneur na própria vida, cambaleando entre festas inesquecíveis, belas mulheres e cenários escandalosos, enquanto escreve como crítico de arte para um jornal, depois de alcançar a fama através de um único livro. É difícil não se render ao carisma do personagem, que destila ironia e charme pelo universo pretensioso e muitas vezes vazio do mundo da arte e da alta sociedade italiana, enquanto encara um momento de crise pessoal.

A Grande Beleza de Sorrentino

Escrito e dirigido por Paolo Sorrentino, A Grande Beleza tem perfume de homenagem à Doce Vida de Fellini e A Noite de Antonioni, questionando o quanto a beleza e toda felicidade que cercam as delícias e prazeres da vida podem esconder nas profundezas grande vazios existenciais.

A Grande Beleza de Sorrentino

No mais, o filme se trata de um deleite sensorial completo, imperdível, como as grande obras italianas. Ou como a Itália em si!