Vestidas de amor de sobra

Com a Vanessa Campos, a vida é amor de sobra. Para dar, sem vender. E essa “sobra” vai além: dos tecidos de marcas de roupa reunidos por ela para confeccionar vestidos e aquecer corações de meninas em alta vulnerabilidade social ao redor do mundo. Embaixadora da ONG Dress a Girl Around The World em Portugal, a brasileira Vanessa hoje se dedica integralmente a esse lindo projeto que, junto com a ajuda da Maria Filó, ao todo já doou 500 mil vestidos a 81 países.

A vontade de fazer o bem acompanha Vanessa por longa data. Se no passado ela alfabetizou voluntariamente funcionários da faculdade onde estudava, hoje entrega o 1º vestido da vida de milhares de meninas. Ao mesmo tempo em que as protege e melhora autoestima delas, proporciona um novo propósito para a vida de senhoras que tornam-se costureiras do projeto.

Antes disso, trabalhou durante 23 anos no mercado financeiro, até ter condições de retomar os mesmos sonhos da juventude: fazer a diferença na vida de quem precisa. Para Vanessa, a vida não a satisfaz de só estiver boa para ela. Um desejo para o futuro? Alçar novos voos como piloto voluntária.

Que nem o céu seja o limite para essa mulher tão generosa, admirável e inspiradora!

Vestidas de amor de sobra

Conta um pouco da sua trajetória para a gente.
Estudei Letras, fiz pós em Comércio Exterior e MBA em Finanças. Trabalhei 23 anos no mercado financeiro. E sempre amei viajar.

Quando e como decidiu se tornar ativista social?
Sinceramente não me considero uma ativista social. Eu só gosto de fazer o bem. Comecei a fazer vestidos para o Dress a Girl americano em fevereiro de 2016. Quando me mudei para Portugal, fui convidada para ser a embaixadora do projeto aqui.

Era uma vontade antiga ou te deu um “estalo”?
Eu sempre ajudei as pessoas que estavam a minha volta que tinham uma vida mais difícil que a minha. Fazer o bem me faz bem e não sei ser diferente disso.

Já começou no Dress a Girl?
Não. Comecei quando fazia faculdade. Na época um grupo de alunos tomou a consciência que era  um absurdo estudarmos em uma universidade  e termos funcionários analfabetos. Então reunimos alunos de várias áreas, o pessoal de Engenharia dava aulas de matemática, o pessoal de Letras cuidava da alfabetização, etc. Dávamos aulas para os funcionários do bandeijão, da limpeza e do jardim. Ali, há 30 anos, aprendi o conceito de solidariedade. A gratidão dos funcionários por não serem mais analfabetos me marcou para o resto da vida.

Vestidas de amor de sobra

Você tem contato com as meninas que ajuda?
Quando viajo sim, tenho a oportunidade de entregar os vestidos pessoalmente a elas, mas fora isso não. Lidar com a realidade da África não é fácil e manter vínculos seria muito complicado.

Qual é a sensação de fazer parte desse projeto e ajudar tantas crianças?
Em pouco mais de 1 ano, sem aceitar um único centavo em dinheiro, já distribuímos mais de 7200 vestidos por 12 países da África. A sensação de poder dar o primeiro vestido novo da vida de uma menina é uma delícia. Infelizmente, as meninas na África ainda são as menos favorecidas. Quando damos um vestido, muitas vezes temos que insistir, porque elas nem acreditam que os vestidos são para elas. Nós ainda tomamos o cuidado de colocar uma calcinha dentro de cada bolso e quando elas descobrem é uma alegria. A cereja do bolo!

Vestidas de amor de sobra

Você é mais feliz hoje? Esse encontro te mudou?
Mudou e muito, eu sempre tinha uma inquietude que me fazia pensar constantemente em alguma forma de fazer a diferença na vida de alguém. Eu sempre olhava a minha volta, porque a vida não me satisfaz se tiver boa só para mim. Hoje sei que fazemos a diferença na vida de muitas meninas que recebem seu primeiro vestido novo. Damos a elas proteção, dignidade e melhoria da autoestima. Paralelo a isso, fazemos a diferença na vida de centenas de senhoras que costuram estes vestidos. Proporcionamos a elas um novo propósito. Muitas dizem que não tinham motivo para acordar, para tirar o pijama ou para tomar banho e hoje acordam animadas para costurar os vestidos. Muitas destas senhoras relatam melhora de depressão, ansiedade e outras doenças afins. Hoje, além de estar implementado em 22 ateliês solidários espalhados pelo país, o projeto tem sido implementado em vários centros de idosos e alguns médicos já têm recomendado o projeto como terapia ocupacional. Então é muito bom saber que fazemos a diferença na vida de tantas pessoas.

Vestidas de amor de sobra

O que aprendeu de mais precioso nessa jornada?
Aprendi que precisamos de muito menos para ser feliz. Na escalada da vida, nos impomos padrões compatíveis com nosso modus vivendi que, por melhor que seja, não lhe satisfaz se não fizer parte da sua essência. Quando pensei em sair do mercado financeiro, onde trabalhei por 23 anos, fiz uma reflexão do que eu queria quando tinha 20 anos de idade. Naquela época, eu já sabia o que queria, mas não tinha dinheiro para realizar. A vida nos envolve num ritmo louco e, quando a gente se dá conta, passou a ter ambições que não nos dizem nada. Então nada melhor do que retomar o que queríamos aos 20, sem grandes complicações.

Vestidas de amor de sobra

O que inspira seu dia a dia?
Como diz a música do Almir Sater: “É preciso amor para poder pulsar… É preciso paz para poder sorrir”.

Como e quando foi morar em Portugal?
Eu e meu marido morávamos na Flórida e, como tenho cidadania portuguesa, em maio de 2016 decidimos fazer uma experiência de morar em Portugal por 1 ano. Eu já participava do projeto lá e decidi lançar aqui. Ele tem sido um sucesso. Em paralelo nos sentimos tão acolhidos que resolvemos vender a nossa casa e nos mudamos de vez para Portugal.

Vestidas de amor de sobra

Como a pilotagem de avião entrou na sua vida?
Outro dia minha mãe me mostrou um desenho que fiz quando tinha uns 10 anos. Nesse desenho eu era piloto de um helicóptero e resgatava uma criança. Eu tenho um amigo no Rio que tem um pequeno avião e há 20 anos me levou para voar pela primeira vez, nunca tinha voado numa aeronave tão pequena, mas adorei e ia sempre que era convidada. Depois, casei com um piloto que é meu grande parceiro em tudo e ama aventuras como eu. Quando ele decidiu se aposentar, resolvemos realizar este sonho. Meu sonho é ser piloto voluntária, mas ainda não cheguei lá.

Uma frase…
Menos é mais.

 

 

A coragem de mudar a direção da própria vida e o ambiente ao redor começou como uma pequena muda de planta para Beatriz de Santiago. Regada com muita inspiração, a vontade da paisagista – até então advogada – foi crescendo até ser grande o suficiente para provocar uma reviravolta no caminho dela.

Foi numa visita ao parque inglês Kew Garden que ela teve um estalo. Largou o Direito e foi estudar a arte de dar novas formas aos ricos contornos da natureza. Agora termina um curso de Paisagismo Ecológico e tem sua própria empresa.

Hoje cultiva o sonho de dar asas ao Muda Rio, projeto que revitaliza praças e canteiros cariocas abandonados. Afinal, são mais de 650 mil árvores e 2.200 espaços verdes públicos que precisam de conservação na cidade. Apesar de estar vigente desde 2012, a iniciativa ainda tem muito a crescer, pois carece da contribuição.

Apaixonada pelo que faz, por pintura e pela rica paleta de cores da natureza, hoje ela também mantém o sonho de implementar hortas em escolas públicas.

Esperamos que Beatriz colha lindos frutos desses projetos!

Para começar, conta um pouco sobre sua trajetória.
Sempre fui apaixonada por natureza, o contato com a terra, de admirar as silhuetas das plantas, as cores e texturas do verde, o cheiro das flores. Sou formada em Direito e exerci por 7 anos a profissão de advogada. Em 2008 fui estudar em Londres. Já tinha lido sobre a vida de Burle Marx e quando entrei no Kew Garden, o parque inglês onde ele teve as suas maiores inspirações, não teve jeito, uma intuição me fez mudar a direção da minha vida. O verde pulsava e minha vontade era poder sair plantando por toda parte. Fiz vários cursos, workshops e estou finalizando um projeto de Paisagismo Ecológico.

Como o paisagismo entrou na sua vida?
Não foi fácil fazer essa migração de carreira, muitos não se conformavam que eu deixasse o Direito. O paisagismo entrou de forma linda através de sinais e muitas coincidências que me fizeram acreditar que daria certo. Comecei fazendo o curso sobre ervas medicinais no Jardim Botânico do Rio. Após 3 anos de muitos estudos e viagens técnicas, montei uma loja-conceito de paisagismo, a partir daí, não parei mais. Sou uma pessoa muito realizada e privilegiada de poder trabalhar com o que realmente amo. Sou apaixonada pelo paisagismo.

Quais aspectos você leva em consideração na hora de criar um projeto?
São vários aspectos que levo com consideração. Preciso realizar a visita técnica ao local, conversar com o cliente para entender a dinâmica familiar, se há disponibilidade de tempo para regar as plantas, quais os gosto, etc. Depois preciso analisar o entorno do local, se pega sol ou sombra, se é arejado, como será a irrigação e por aí vai.

Como, quando e por que decidiu criar o projeto Muda Rio?
Sou apaixonada pelo Rio de Janeiro, apesar de todos os problemas que estamos enfrentando, tenho alguns sonhos para realizar na nossa cidade. O clima é muito favorável. Temos a maior floresta urbana do mundo, que é a Floresta da Tijuca. Temos os parques e jardins assinados pelo maior paisagista de todos os tempos, Burle Marx. Infelizmente, ainda temos praças e canteiros abandonados por toda a cidade. Isso começou a me causar tristeza. Comecei a pensar que poderia incentivar e conscientizar pessoas e empresas a mudar a cara do Rio. Hoje, tento convencê-las a proporcionar o bem-estar não só para seus funcionários e clientes, mas também para tornar o Rio um lugar melhor.

Qual é a atuação do projeto hoje?
Infelizmente está longe do que idealizei, mas tenho algumas propostas em análise. Com a crise, as empresas passaram por muitas reestruturações financeiras e me parece que os projetos estão suspensos temporariamente.

Quais são os resultados que ele trouxe desde a sua criação? 
O Muda Rio me trouxe esperança de um dia ver as praças mais bem cuidadas, pessoas mais felizes e saudáveis. O projeto ainda não avançou como eu gostaria, mas recebo muitos e-mails de pessoas pedindo para revitalizar a praça/canteiro perto de suas casas. A revitalização é um processo, preciso dar entrada no pedido na Fundação Parques e Jardins. Depois da aprovação, é preciso reformar e fazer manutenção do jardins.

Como uma pessoa pode ajudar o Muda Rio?
Inicialmente tinha duas opções: por contrato empresarial ou crowdfunding, mas por algumas circunstâncias da época não consegui seguir essa 2ª opção. Devo voltar em breve a tentar o financiamento coletivo.

Quais são os critérios de escolha dos espaços a serem revitalizados?
Geralmente é no entorno da empresa, mas não é uma regra. Pode ser próximo a espaços culturais, esportivos, uma praça com grande visibilidade. As empresas podem ter o retorno de um marketing ecologicamente correto.

A partir do momento em que o canteiro ou praça é escolhida, quais são os próximos passos?
Depois do local escolhido, é necessário aprovar o projeto e orçamento com o cliente. Em seguida o projeto é submetido a análise a aprovação da prefeitura, através da Fundação Parques e Jardins.

Também queremos saber um pouco de você. Quais são suas paixões? O que te inspira?
Inspiração para mim está nas coisas mais simples da vida. É ver um pé de jabuticaba crescer e o beija-flor vir apreciar. É plantar uma palmeira e vê-la se desenvolver com o vento balançando as madeixas. É sentir o perfume autêntico do jasmim, da lavanda ali bem da sua varanda. E dessa forma a família poder praticar e compartilhar hábitos que preenchem a alma. Outro dia recebi a visita de um tucano na minha varanda e fiquei apenas admirando a liberdade e a riqueza da mãe natureza. Amo o que faço, ver os sonhos dos meus clientes realizados é uma felicidade. Pintar aos domingos também é uma das minhas inspirações.

Tem algum sonho para o futuro?
Meu sonho é que as pessoas não esqueçam que precisamos cuidar do verde para o mundo não ficar cinza. Que a cidade floresça desse momento nebuloso e possamos sentir o cheiro de terra molhada acalentando e tranquilizando nossos corações. Eu adoro plantar com crianças e tenho um sonho de implementar hortas em escolas públicas.

Conta um pouco da sua relação com a Maria Filó.
A minha história com a Maria Filó é antiga. Quando eu advogava, eu trabalhava perto do Shopping Vertical, do Centro do Rio. Eu vi a loja nascer lá e me vestia de Maria Filó para as minhas audiências. Depois que me tornei paisagista, fiquei mais apaixonada ainda com as mais lindas estampas florais que só a Maria Filó tem. A minha blusa jeans com flores é uma paixão. O charme e a personalidade das coleções são únicos.

Especial Outubro Rosa

Às vezes é um filme que traz uma mensagem do bem, em outras são iniciativas bacanas que nos ajudam a superar momentos difíceis. Quando eles surgem, nada como buscar informação, além de cuidar do corpo e da mente, afinal os dois são indissociáveis e trabalham juntos para nosso bem-estar.

Manter a positividade é como um remédio, defende a psico-oncologista Jéssica de Riba, responsável pelo Grupo Conviver, projeto de apoio psicológico da São Carlos Saúde Oncológica. Hoje conversamos com ela, que dá conselhos para enfrentar o câncer com otimismo e troca de experiências.

Confira a entrevista:

Qual é a importância do acompanhamento psicológico durante o tratamento?
Tão importante quanto a busca por novos medicamentos e tecnologias de enfrentamento ao câncer é encontrar maneiras de ajudar o paciente a lidar com o diagnóstico. Ainda que parte dos tumores malignos tenham bons prognósticos, o câncer tem um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, por isso a importância do acompanhamento psicológico desde o diagnóstico. Em alguns momentos, o simples fato de oferecer à pessoa um espaço onde ela possa falar de seus sentimentos e expectativas frente ao câncer pode fazer com que novos significados sejam dados à vida. O papel do psicólogo consiste em trabalhar suas vivências e possibilitar ao paciente a compreensão do seu processo de vida e de adoecimento, além do enfrentamento do diagnóstico, do prognóstico e da construção de um espaço para resgatar seu valor enquanto ser humano. Esse é o trabalho que fazemos com os pacientes do Grupo Conviver na São Carlos.

Como lidar com o diagnóstico? É comum a oscilação entre momentos de negação e otimismo?
Não existe uma fórmula mágica para lidar com o diagnóstico, a oscilação de humor é comum e, em sua maioria, as pessoas precisam de algum tempo para se ajustar ao fato de que estão com câncer. Precisam de tempo para pensar no que é mais importante em suas vidas e aceitar o apoio de seus familiares e amigos. Para muitos, este é um momento emocionalmente difícil e por isso sentimentos como raiva, medo, choque e descrença podem ser comuns.

A feminilidade de muitas mulheres fica afetada durante e após o tratamento. Quais são as dicas que você dá para elas nesse momento?
Se enxergar em uma nova imagem corporal, aprender e aceitar seu corpo durante e após o tratamento do câncer de mama é uma jornada pessoal e diferente para cada mulher. A questão da feminilidade pode ser bastante auxiliada com a busca de informações e também com a busca de grupos de apoio mútuo, que enriquecem as trocas de experiências e vivências.
Procurar informação e entender que sexualidade vai muito além do próprio ato sexual é importante, assim como o apoio do (a) companheiro (a) e compreensão de que cada um tem seu próprio tempo.

Quais outras dicas você dá para quem enfrenta o tratamento?
A experiência do câncer é única para cada um dos pacientes. O momento mais difícil costuma ser o pós-diagnóstico, assim como durante as diferentes etapas do tratamento – cirurgia, quimioterapia, radioterapia e possíveis recaídas. Pesquisas realizadas nos últimos anos concluíram que pacientes otimistas, em geral, têm resultados mais positivos no tratamento oncológico. O emocional gera uma alteração negativa de hormônios que interfere até no tratamento. Pacientes emocionalmente bem enfrentam a doença de forma mais tranquila.

1. Não tenha medo da informação. É importante manter-se informado sobre o andamento do seu tratamento. Isso ajuda a compreender como será o caminho para enfrentar o câncer.

2. Busque apoio nas pessoas que você ama.

3. Procure apoio também em pessoas que passam por situações parecidas.

4. Esqueça as estatísticas, resista à tentação do “Dr. Google” e peça informações ao seu médico, ele melhor que ninguém conhece seu caso.

5. Não pare sua vida por causa do câncer, manter a normalidade é fundamental para a saúde mental.

6. Muitas pesquisas também apontam que a meditação mindfulness, por exemplo, ajuda no tratamento ao reduzir os hormônios do estresse e aumentar a sensação de bem-estar, além de ajudar a regular o sistema imunológico. Fé também traz benefícios similares.

Você indica que as pacientes continuem a rotina durante o tratamento? Ou é importante dar uma pausa?
Manter a normalidade é importante para a saúde mental quando nos deparamos com um diagnóstico de câncer. Ocupar a cabeça com problemas que vão além do consultório médico faz toda a diferença no equilíbrio emocional.

Quais dicas você dá para familiares e amigos de quem enfrenta o câncer de mama?
Sabemos que o diagnostico de câncer abrange não só o paciente, mexe com toda estrutura social e familiar. Normalmente, orientamos que os familiares:
– Mantenham-se informados sobre o que está acontecendo;
– Cuidem também da própria saúde, é muito comum que no cuidando do outro o familiar se esqueça dele;
– Cuidem dos seus sentimentos e, se necessário, procure ajuda profissional;
– Consigam dar carinho e entendam que a perspectiva do paciente foi modificada (saúde/doença), assim como o timing;
– Ofereça ajuda, saiba ouvir e principalmente se permita chorar e permita o outro chorar. É importante saber que altos e baixos emocionais são comuns e que tanto o familiar quanto o paciente podem ter vontade e devem chorar.

Especial Outubro Rosa

Depois da nutricionista Patrícia Augstroze dar dicas de alimentação para prevenir o câncer de mama e de contarmos aqui sobre um documentário que será lançado sobre o assunto, hoje conversamos com a Dra. Patrícia Alves, médica oncologista da São Carlos Saúde Oncológica, hospital especializado no tratamento oncológico completo.

Aqui ela dá dicas preciosas para o cuidado contra a doença. Afinal, a informação é nossa maior aliada contra o câncer de mama.

Quais produtos evitar para se prevenir?
Muito se diz acerca da associação entre o uso de sutiã e desodorante com a ocorrência do câncer de mama, mas vale a ressaltar que não houve comprovação científica. Há também questionamentos quanto ao implante da prótese de silicone, porém em estudo realizado anteriormente não foi constatado aumento da incidência nessas mulheres com prótese.

Quais alimentos evitar para se prevenir?
Nunca houve tanta preocupação com a qualidade da alimentação quanto nos últimos tempos. Ter uma dieta equilibrada é uma maneira de prevenir o câncer de mama. Deve-se evitar principalmente o consumo excessivo de carnes vermelhas e gordura saturada (geralmente de origem animal) e não abusar de bebidas alcoólicas.

Quem faz parte do grupo de risco?

  • As mulheres são pelo menos 100 vezes mais suscetíveis ao câncer de mama do que os homens, mas é possível que este tipo de câncer se desenvolva também entre eles;
  • Apesar de ser mais comum nas mulheres a partir dos 30 anos, nos últimos anos a incidência do câncer de mama em jovens tem crescido. Assim, quanto maior a idade, maior o risco;
  • A obesidade é um fator que aumenta o risco, principalmente após a menopausa;
  • Mulheres que não tiveram filhos e não amamentaram ou com primeira gravidez tardia;
  • Mutações genéticas;
  • Reposição hormonal em mulheres que já tiveram câncer de mama ou com histórico familiar;
  • Exposição à radioterapia prévia.

Esse grupo deve tomar precauções especiais?
Sim, é importante manter consultas periódicas com o mastologista e realizar os exames de rastreamento.

Qual frequência considera ideal para fazer exame?
A recomendação médica no Brasil é que a mamografia seja realizada anualmente a partir dos 40 anos, para auxiliar o diagnóstico precoce do câncer de mama. Caso haja algum fator de risco, deve-se iniciar mais precocemente ou reduzir este intervalo, sempre com orientação médica.

Qual o período do mês é mais indicado para realizar o autoexame?
O autoexame é, na verdade, apenas o autoconhecimento das mamas; é importante frisar que não pode ser utilizado como exame de rastreamento para o câncer de mama. Ele pode ser feito 1 semana após a menstruação e, em mulheres que não menstruam, sempre na mesma data do mês. Assim, as mulheres devem ficar alertas a qualquer alteração nas mamas e não deixar de fazer o acompanhamento com o ginecologista e os exames de rotina.

A mamografia são os únicos exames que detectam?
O autoexame é apenas uma forma da mulher tentar identificar alguma alteração nas mamas. Ele não pode ser utilizado como exame de rastreamento. O principal exame para detecção é a mamografia e, em alguns casos, são solicitados exames complementares como ultrassonografia e ressonância das mamas.

Dicas de bem-estar para quem enfrenta o câncer de mama.
Manter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos com regularidade e desenvolver atividades que lhe causem bem-estar e tranquilidade são algumas dicas para quem está em tratamento de câncer. Manter uma rede de apoio sócio-familiar também é importante para que a paciente se sinta confiante em encarar este desafio de frente. A São Carlos Saúde Oncológica conta com uma equipe multidisciplinar que atua nas áreas de Serviço Social, Psico-oncologia, Nutrição, Fisioterapia, Fonoaudiologia, entre outros serviços. Tudo para oferecer todo o suporte que nossos pacientes necessitam durante o tratamento.

A mama deve ser a única área de preocupação das mulheres?
A mama, normalmente, é o local primário deste tipo de câncer. Em alguns casos, o câncer pode também acometer as axilas e enviar metástase para outros órgãos, podendo espalhar a doença para diversas áreas do corpo. Assim, é importante que a mulher fique atenta a qualquer sinal de alteração na região das mamas.

Abaixo a monotonia e o tédio: esse é o lema da autêntica Luciana Novis na hora de se vestir, momento mais prazeroso do dia para a stylist, que enxerga na moda uma forma de deixar a vida mais alegre e divertida. Com uma infinita cartela cromática e combinações inusitadas, ela mostra toda a sua irreverência em visuais para lá de criativos.

Como Luciana aprendeu a arte da composição a serviço da harmonia? A avó, sem dúvida, foi uma grande fonte de inspiração, além da musa multicolorida Iris Apfel e da excêntrica Diana Vreeland. Hoje ela passa seu olhar apurado para a filhota Antonia, de 8 anos, que apesar da idade não é boba nem nada quando o assunto é originalidade na moda.

Mãe também da recém-nascida Felipa, a stylist conta aqui como foi a aventura de se vestir durante a gravidez e revela quais são seus artifícios, além dos looks, para deixar os dias mais prazerosos.

E fica aqui a dica dessa talentosa criativa: moda é autoconhecimento, então seja você mesma e divirta-se!

Para começar, conta um pouco sobre sua trajetória profissional.
Minha trajetória profissional é um pot-pourri de experiências (risos). Comecei cursando medicina por causa da minha paixão por ciências, por cuidar e estar em contato com as pessoas. Foram 4 anos de faculdade até o momento em que comecei a me sentir fragilizada demais com o sofrimento das doenças e perceber que me dava mais prazer criar looks para o plantão do que estudar as patologias (risos). Foi então que percebi que era hora de mudar. Sem avisar nada aos meus pais, tranquei a faculdade e imediatamente ingressei no curso de jornalismo, me especializando em moda com o curso da Iesa Rodrigues. Assim atendi às 3 paixões que sempre foram presentes na minha vida: ler, escrever e brincar de me vestir. A partir daí, nunca mais parei. Fundei com minha turma um jornal mensal, o “Moda Agora”, para o qual cobríamos as semanas de moda e os principais eventos e novidades da área, fiz freelas de figurino, trabalhei em assessoria de imprensa e no marketing de marcas de moda. Depois de 13 anos, me senti completa para seguir com meu próprio negócio. Há 3 anos, escolhi meu hobby como profissão, fiz alguns trabalhos para revista de moda e comecei a prestar consultoria criativa para marcas.

Como surgiu seu interesse pela moda?
Sempre fui bastante conectada com moda e estética, desde muito criança. Quando era pequena, minha avó tinha em casa um atelier de roupas feitas sob medida. Adorava observá-la ajudando as clientes, desenhando as roupas. Aproveitava os restos de retalhos para vestir minhas bonecas. Minha avó sempre foi e é até hoje uma mulher muito elegante e inspiradora.

Qual é o papel da moda na sua vida e no mundo?
Adoro uma frase que diz que “a moda é a mais inebriante libertação da futilidade que existe”. Moda é arte, uma forma de deixar a vida mais alegre. Quando você se sente bem com uma roupa, se sente bem com você mesma, se relaciona com o mundo e com as pessoas de maneira mais leve e saudável. Sem dúvida o ritual diário de me vestir é uma das ações mais prazerosas do meu dia inteiro.

E no mundo?
Além da sua grande importância em contar a história do comportamento das civilizações ao longo dos anos, é também de movimentar a economia e gerar empregos. E atualmente as pessoas mudaram a forma de consumir e estão cada vez mais conscientes dos impactos do consumismo em suas vidas e no planeta.

Qual é o maior desafio na sua profissão de stylist?
Acredito que para produzir imagens fortes e de impacto, o styling deve ser pensado para além da roupa em si. Tem que haver uma sinergia entre a luz, o cenário, o acting e a roupa. Essa é a combinação de fatores que faz a coisa acontecer. É fundamental estar sempre conectado e saber se reinventar. Um bom trabalho para mim é aquele que consegue produzir uma imagem forte e impactante potencializando as qualidades do cliente e trazendo o que ele tem de melhor.

Qual dica você dá para uma pessoa que quer trabalhar com moda?
Tenha muito, mas muito amor pelo ofício. Muitas vezes as pessoas têm uma ideia glamourizada da moda, que de glamour não tem nada. É uma profissão difícil, exige talento, muita dedicação e persistência.

Como foi a aventura de se vestir durante a gravidez? Tem dicas?
Foi superbacana porque pude aproveitar meu guarda-roupa e com um styling esperto adaptá-lo às várias fases da gravidez sem ter que comprar uma peça nova. Só investi mesmo em acessórios que a gente não pega bode e acaba usando depois.

Sua filha já é uma pequena estilosa. Vocês escolhem as roupas dela juntas?
A Antonia tem uma personalidade forte e sempre gostou da brincadeira de se vestir, isso foi uma coisa que uniu a gente. Hoje em dia ela escolhe as próprias roupas, vira e mexe inventa uma forma nova de usar alguma peça, outro dia fez uma bolsa de papel (risos). Mas a gente sempre troca ideia. E eu adoro pedir a opinião dela. Apesar de pequena, ela tem um olhar superesperto.

Quais são suas principais inspirações estéticas?
São tantas… Diana Vreeland, Iris Apfel e a minha avó certamente são mulheres inspiradoras. A referência estética está dentro da gente, ter um olhar treinado e ficar sempre atento ao que está acontecendo transforma os pequenos detalhes em fonte de inspiração.

Estilo: você tem ou não tem ou você pode encontrar o seu?
Estilo tem a ver com autoconhecimento, em você conhecer seu corpo e sua essência, saber o que te veste bem e o que traduz sua personalidade. Algumas pessoas seguem “modas” e às vezes forçam a barra para usar algo que não sintoniza com elas. Não é verdadeiro, não funciona. É totalmente possível encontrar o próprio estilo, basta querer se conhecer profundamente e não seguir modismos. Se vestir é uma forma de se comunicar com o mundo e quando você conhece tanto seu corpo quanto sua essência, essa comunicação flui de forma harmônica, você emite para o mundo o que você é de verdade.

Falando nisso, você sempre teve esse estilo autêntico? Como foi esse processo?Sempre tive uma coisa muito instintiva de gostar de me vestir, de combinar cores, formas e estampas, de criar maneiras novas de usar as roupas. Quando criança, usava bota ortopédica e a incorporava ao look com a maior naturalidade, isso nunca fez com que eu perdesse a minha autenticidade. Mas “peguei um bode” de botas de uma maneira geral (risos). Passei por várias fases também na adolescência, mas sempre tive muito a minha marca registrada. Com o tempo o estilo vai se aprimorando, amadurecendo, sem perder a sua assinatura.

Tem dias que você acorda básica?
Nunca aconteceu! (Risos). Me vestir é um prazer, um hobby que precisa ser leve e divertido, ainda que esteja de jeans e t-shirt branca, tem sempre que ter um acessório ou algum truque de styling para “perturbar” a monotonia de um look básico. A única coisa que prezo acima de tudo é que o caos criativo seja harmônico. A combinação de coisas que a princípio não se combinam tem que fazer sentido no final.

O que mais você faz para deixar a vida mais divertida?
Tento sempre fazer com que a minha rotina seja prazerosa mesmo com as chatices que fazem parte do dia a dia. E exercito bastante não me levar tão a sério. Rir de mim mesma e aceitar meus defeitos faz tudo ficar mais fácil.