Medicina da Consciência

No 1º post da série Afinal, o que é isso?, que esclarece diferentes conceitos da busca por uma vida mais serena e equilibrada, tivemos uma conversa afinadíssima com a médica Carolina Presotto para entender melhor como funciona a Medicina da Consciência, que abrange a cura por meio do corpo, da alma e da mente.

O projeto enxerga a consciência enquanto forma de prevenção e saúde, integrando conhecimentos milenares como yoga, ayurveda e meditação à medicina ocidental, natural e funcional.

O novo conceito médico nasceu durante uma meditação na Índia, quando Carolina – que tem o nome espiritual Simrat Kaur – teve uma epifania que mudaria sua história. “Pensei: ‘este é o seu projeto, sua missão’. A Medicina da Consciência veio até mim. Foi neste dia que digo que a minha vida me encontrou”, conta ela, que é médica e dermatologista.

Hoje o consultório de Carolina, no Rio, se prepara para expandir e ganhar novas parcerias. Para ser paciente dela, só há um pré-requisito: o compromisso consigo mesmo. “Não haverá transformação se você não estiver presente”, explica.

Confira nosso papo:

Medicina da Consciência

Conta um pouco sobre sua trajetória e formação.
Comecei minha trajetória no Yoga por volta dos 14 anos. Sempre me interessei por curas holísticas e integrativas, como cura quântica, entre outras. Após minha especialização em dermatologia, comecei a estudar Ayurveda aqui e na Índia. Logo então conheci o Kundalini Yoga, que transformou a minha vida. Foi durante uma meditação na Índia, no meu curso de formação para professora, que surgiu o projeto Medicina da Consciência. Desde então venho trabalhando e evoluindo com ele.

O que é Medicina da Consciência?
Medicina da Consciência é um novo olhar sobre doença, saúde e cura. Hoje, após todas minhas experiências e estudos, vejo que consciência é cura. Acredito que uma doença pode ser uma oportunidade para uma transformação. Para isso, precisa saber quem ele é de verdade e, a partir disso, viver cada instante no momento presente. A Medicina da Consciência surge então com a proposta de acordar esse curador interno, de entendermos a vida com neutralidade e de conhecermos a nós mesmos através de tecnologias e conhecimentos que integram nosso ser como um todo, um ser que tem um corpo, tem uma mente e é espírito/alma. Somente através do reconhecimento e acesso a essa nossa totalidade alcançamos o equilíbrio. Para isso, utilizamos ferramentas que integram terapias e conhecimentos ocidentais e orientais.

Medicina da Consciência

Quais são seus pilares?
– Medicina da Consciência: consulta holística (integrativa) para quebra de padrões e transformação do ser. Essa consulta inclui tecnologias de alimentação natural, ayurveda, cura meditativa e conversa orientadora.

– Kundalini Yoga e meditação: aulas e práticas.

– Dermatolgia Natural: um novo olhar preventivo, integral, natural e vegano sobre a pele.

– Projetos sociais: somos um e por isso nossa vida não é só nossa. Compartilhar e ter o compromisso com o outro é parte essencial de uma vida consciente. Hoje os  projetos sociais da Medicina da Consciência acontecem através da ONG CuraSer, com pessoas que estão se transformando a partir dela.

Como ocorre esse diagnóstico do tratamento de cada pessoa?
Através de um espaço de abertura e conversa que acontece na primeira consulta, de um exame físico e também de um campo intuitivo. Como nossa proposta é integrar, ver a medicina de forma plena e holística, abrangendo conhecimentos orientais e ocidentais, são inclusos na consulta exames clínicos e laboratoriais para um diagnóstico, caso sejam necessários.

Medicina da Consciência

É uma medicina para todos ou você indica em casos específicos?
Para todos. Estamos aqui para nos transformar, nos curar e evoluir.  Alguns vêm para uma alimentação mais consciente, outros para uma orientação, para aprender a meditar ou para se conhecerem. Só existe um pré-requisito: o compromisso consigo mesmo. Não haverá transformação se você não estiver presente.

É um “tratamento” contínuo ou pontual?
Cada ser é único e com isso cada tratamento é único. A maioria começa uma espiral de transformação e requer um acompanhamento. Alguns, em uma sessão, recebem o necessário para aquele momento que estão vivendo. Mas enquanto estamos aqui, vivemos em mutação, a mudança é nossa constante enquanto seres humanos. Grande parte das pessoas precisa de algumas sessões e, conforme as mudanças, novos ciclos de atendimento. Já as práticas de yoga, meditação e técnicas orientadas durante a consulta são para a vida. Ferramentas que passam a ser da pessoa para se acessar e estar em contato com a sua verdade.

Medicina da Consciência

Você cuida de todo o processo ou divide com os especialistas de diversas áreas?
Até o momento, estou a cargo dos atendimentos, mas estamos expandindo. A Medicina da Consciência tem agora nova sócia, a Fernanda Guerra, que está possibilitando nossa expansão. Novos profissionais, como psicólogos, professores de yoga, dermatologistas e terapeutas estão se unindo para quando nosso novo espaço abrir (provavelmente em agosto) estarmos com uma equipe maior que possa ajudar a quem busca por uma nova perspectiva sobre si mesmo.

Em uma sessão você já consegue entender a necessidade do paciente?
Numa consulta conseguimos abrir algumas portas. Muitas vezes estas portas abrem novas portas e por isso muitas vezes novas consultas acabam acontecendo. A transformação é uma espiral sem inicio nem fim, nosso papel aqui é permitir com que a pessoa assuma as rédeas do seu próprio processo evolutivo e curativo. Estamos aqui disponíveis para ajudar neste processo até não sermos mais necessários.

Sabe aquela velha história que diz “menos é mais”? A Cristal Muniz mostra que, se tratando de produção de lixo, esse ditado vem bem a calhar. Depois de conhecer o blog Trash is for Tossers, ela decidiu, no final de 2014, remar contra a maré e dar início à sua missão de reduzir ao máximo resíduos e desperdícios.

E assim nasceu o Um Ano Sem Lixo, site onde compartilha toda a sua jornada em busca de um mundo mais sustentável, dando dicas e compartilhando aprendizados. Lá ela mostra receitas de beleza, produtos para a limpeza da casa, explica como substituir certos itens e muito mais.

Hoje continua firme e forte no projeto, provando que este estilo de vida é bem mais fácil do que parece e que o caminho para um mundo melhor está na simplicidade. Que a Cristal continue  inspirando outras pessoas a viver de um jeito diferente e consciente!

Confira a entrevista:

Conta um pouco sobre sua trajetória.
Eu cresci numa cidade pequena de Santa Catarina, com meus avós, mãe e irmã. Quase tudo o que eu comia vinha da horta da minha vó. Meus pais sempre foram muito saudáveis, além de um pouco alternativos nas comidas e em outras coisas também. Meu pai é muito ligado nesses assuntos, lembro de desde cedo ser bombardeada com “não jogue seu lixo no chão”. Sempre me preocupei com lixo e meio ambiente, acho que tem a ver com minha geração.

Me formei em design gráfico, fiz um tempo de jornalismo e hoje em dia tô querendo fazer nutrição. Tenho 26 anos, moro com minha cachorra Filó e minha gata Nina em Florianópolis.

Como surgiu a ideia de reduzir o lixo o máximo possível?
Minha ideia surgiu quando conheci o blog Trash is for Tossers, da Lauren. Ela mora em NY, no Brooklyn, é superdescolada, chique, veste preto, não tem cara de hippie. Não faz o estereótipo de natureba. Me encantei por isso. Eu não queria usar tie-dye para reduzir meu impacto, mas não sabia se tinha outra opção. Ficava sempre pensando sobre o quão realmente menos impactante é um tie-dye e um saião que um blazer preto. Discutindo com meu namorado sobre “meu deus, olha que legal esse mercado a granel, essa escova de bambu, isso seria impossível aqui no Brasil”, resolvi procurar essas coisas se tinha para vender aqui. Era um domingo, pesquisei a fundo sobre o assunto, li o blog dela inteiro nesse dia. Achei mil coisas para vender aqui! Fiquei muito feliz. Acho que eu não teria tanta dedicação a esse projeto sem um blog e uma “obrigação pública” de fazer isso. E também pensei que seria legal ter um site de uma brasileira para desmitificar e mostrar que também era possível isso aqui.

Como foi o início? Quais foram os maiores desafios?
Eu criei o blog para contar como ia ser a transição para uma vida sem lixo, porque eu não tinha todas as respostas de cara. O mais difícil foi pesquisar como fazer certas coisas, porque apesar de eu ter como referência os blogs da Lauren, Trash Is For Tossers, e da Bea, Zero Waste Home, muitas coisas eu não sabia como adaptar para a realidade do Brasil. Exemplo: papel higiênico que lá eles jogam no vaso, sabão de castela que lá é barato…

E hoje, qual é o maior desafio?
É manter o lixo zero no dia a dia.

Quais dicas você dá para quem começa agora nesse projeto?
Primeiro, fazer um kit lixo zero para reduzir os descartáveis. Ter sempre na bolsa guardanapo de pano, talheres, canudos de inox ou bambu, copo e hashis. Assim dá para comer fora sem usar nenhum lixo, é só pedir as comidas nas suas coisas e recusar outras. Depois, começar a fazer alguns produtos de limpeza e beleza, lá no blog tem várias receitas como do detergente natural que eu ensinei no canal da Jout Jout. A próxima etapa é começar a fazer compras a granel levando seus saquinhos e potinhos de vidro e, para finalizar, ter uma composteira. Depois disso tudo você já vai ter reduzido muito seu lixo.

Quais são as mudanças pelas quais você passou desde que reduziu o lixo?
Minha rotina em si não mudou em quase nada. Antes de sair de casa, eu confiro se estou levando um guardanapo e uma sacola de pano caso vá comprar algo. E só. Tenho sempre talheres e um copinho na bolsa, que nunca saem dali. Para fazer compras, eu vou 1 vez por semana na feira e, se preciso, mais 1 vez em alguma loja a granel. Levo muitos potes e sacolas de pano, mas geralmente vou sabendo o que comprar, até para não desperdiçar comida depois.

É engraçado porque eu achava que iria mudar muito, mas o que muda é o hábito. Tu faz a mesma coisa, só que com o objeto diferente. É como começar a usar óculos ou parar de comer alguma coisa, tipo glúten, lactose ou carne. No começo tu esquece, não se planeja, fica na roubada, mas aos poucos tu se precave o suficiente usando o menor esforço.

Mudou mesmo minha visão de mundo, das coisas. Hoje em dia eu me preocupo muito pouco com limpar a casa, fazer compras. Compro o que preciso repor, faço feira 1 vez por semana, etc. Tudo que faço hoje em dia é planejado, então sobra muito mais tempo para mim.

Quais são as exceções? Papel higiênico, camisinha e protetor solar?
Em vez de papel higiênico, estou usando ducha higiênica + toalha para evitar o papel. As exceções são principalmente as questões de saúde. Camisinha tem que usar, protetor solar também, remédio e vacina tem que tomar. Não dá para se culpar ou lutar contra certas coisas. Faz parte da vida moderna na cidade. Se eu ficar doente e precisar de remédio, vou tomar, paciência. Dentre as exceções também entram algumas coisas de casa como lâmpadas, móveis, tinturas.

Como é a sua alimentação?
Sou ovolactovegetariana, mas em casa sou vegetariana estrita (ou seja, nada de origem animal). Faço praticamente tudo do zero em casa, de geleias a pastinhas, almoços, pão, jantares, etc. Como compro muita coisa a granel, minha alimentação é supersaudável. Não compro quase nada embalado, só óleos, shoyu e coisas líquidas que não encontro a granel ainda.

E sua decoração, você faz tudo? Produtos de beleza também?
Cosméticos eu faço quase tudo, menos saboaria e condicionador porque são mais complexos e não sei ainda.

Muita gente nunca ouviu falar em composteira. Conta para a gente para que ela serve e se todos podem fazer.
Existem muitos tipos de composteiras, mas a que eu uso e recomendo é a com minhocas. Ela é um sistema de caixas onde você coloca os resíduos orgânicos e cobre com matéria seca como serragem e eles se decompõem naturalmente. Com a ajuda das minhocas, tudo vira um húmus riquíssimo para adubar hortinhas e vasinhos. Você deixa de mandar esse lixo para os aterros sanitários e devolve para natureza. Todo mundo pode fazer! Lá no blog tem post sobre como fazer em casa e em apartamento.

Sua cadela se chama Filó. Adoramos saber! Por que esse nome?
Não tem um motivo especial, mas eu sempre amei esse nome e sempre quis ter uma Filó. Acho um nome carinhoso e sapeca, como ela, ao mesmo tempo.

Quais são suas outras paixões? O que mais te move?
Eu gosto de ensinar pessoas para que elas tenham autonomia, passar informação de todo tipo para frente. Eu fico feliz em fazer coisas que façam do mundo um lugar melhor, individual e coletivamente. Além disso eu amo natureza, principalmente praia. E ler. E minha gata Nina e a cã Filó. E meu namorado Lucas. <3

 

Robótica a serviço da transformação social

Engana-se quem pensa que a robótica é feita apenas de inteligência artificial. Pelo menos ao se tratar da ROBÔLIVRE, start-up que leva a ciência para escolas públicas do Recife e pessoas leigas no assunto, estimulando a criatividade, a curiosidade e perspectiva de futuro dos jovens. O resultado é lindo de ver.

A plataforma foi criada por Henrique Foresti, mestre em Engenharia Mecânica que diz ser fascinado por esse universo desde pequeno. Para ele, a robótica é multidisciplinar e se manisfesta, antes de tudo, nas artes e no comportamento das pessoas. Foi com inteligência emocional que o engenheiro decidiu difundir seus conhecimentos e mostrar que a tecnologia não é tão complicada assim.

Hoje é dia de ter uma Conversa Afinada com Henrique, que revela como criou o projeto e conta histórias emocionantes. Fica aqui nosso desejo que a ROBÔLIVRE continue a transformar vidas, construindo robôs e desconstruindo a ideia de que essa é uma ciência para poucos. Se depender dele, pode apostar que não!

Robótica a serviço da transformação social

Confira a entrevista:

Como e quando começou o projeto Robô Livre?
Em 2005 divulguei na internet o projeto do robô que desenvolvi durante o mestrado. Era o MNeRim, um bípede de 320 mm de altura capaz de andar e fazer movimentos, como chutar. Meu intuito era que outras pessoas pudessem construir seus próprios robôs e melhorar o projeto. Até 2011, como pouca gente havia acessado a plataforma, construí um laboratório de robótica numa escola estadual e comecei a dar aulas para os estudantes. No ano seguinte, mais pessoas se interessaram pela iniciativa, então construímos um negócio social para ampliá-la. Em um projeto financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), desenvolvemos nossa metodologia de ensino em parceria com o Centro de Educação, o colégio de Aplicação da UFPE e a Universidade da República do Uruguai. Ainda em 2012 lançamos nossa rede de desenvolvimento colaborativo, que permite qualquer pessoa compartilhar seus projetos de robótica. A start-up ROBÔLIVRE foi fundada em 2016 e, além de manter a infraestrutura da plataforma, oferece produtos ligados à iniciativa.

Robótica a serviço da transformação social

Como o projeto funciona hoje em dia?
O nosso propósito é realizar transformação social com a robótica. Para isso, precisamos chegar às comunidades, convencer as pessoas que é fácil fazer robótica, realizar formação com aqueles que se interessam e criar oportunidades para eles. Conduzimos encontros semanais com os estudantes, que constroem robôs, aprendem a lidar com a tecnologia e se interessam por seguir carreiras na área. Através de parcerias com empresas, executamos ações que envolvem eventos e palestras de desmistificação de tecnologia (levamos robôs e apresentamos a robótica para a comunidade), projetos de experimentação (aulas semanais em escolas e institutos) e formação de centros de desenvolvimento colaborativo (espaços onde acontece pesquisa aplicada em robótica). Também realizamos eventos em shoppings centers, executamos programas de experimentação em escolas privadas e no laboratório da nossa sede, desenvolvemos e comercializamos produtos de tecnologia e apoiamos projetos de pesquisas em universidades.

Quantos jovens já aprenderam com vocês?
Atualmente temos mais de 6 mil pessoas compartilhando projetos na plataforma. Também já impactamos cerca de 10 mil pessoas em nossas palestras e oficinas pontuais. Já formamos mais de 600 jovens.

Robótica a serviço da transformação social

Quantos são os técnicos e alunos de robótica do projeto hoje?
Temos 7 multiplicadores trabalhando diretamente e nos programas permanentes estamos atendendo cerca de 300 jovens atualmente.

Alguma história específica que gostaria de nos contar? Sobre algum aluno que tenha entrado no projeto e mudado de vida?
A gente tem muitas histórias lindas. Vimos várias pessoas participarem conosco e se encaminharem na vida, mas gosto de contar uma em especial. Clécio concluiu o Ensino Médio participando de nossa formação. Dissemos a ele que continuasse estudando e assim conseguiríamos um estágio ou uma bolsa de pesquisas. Após um tempo nos encontramos, Clécio disse que estava trabalhando com serviços gerais e que havia se matriculado numa faculdade. Alguns dias depois nos vimos novamente e ele contou que seu chefe não o havia liberado para sair meia hora mais cedo para conseguir assistir às aulas. Naquele momento tínhamos acabado de fundar o Robolivre e o convidamos a ser o 1º colaborador da start-up. Ele iniciou a faculdade e se tornou um multiplicador da plataforma.

 O que seus alunos criaram de mais bacana após passar pelo curso? Gostaria de destacar algum projeto?
Vou destacar o Cérebro. A partir de um infográfico que os meninos estavam estudando em ciências, que identificava por cores as áreas do cérebro responsáveis por cada sentido (tato, audição, olfato e visão), eles construíram um artefato composto por sensores e luzes led que representavam com intensidade de brilho cada um dos sentidos. Como resultado, além do desenvolvimento pessoal dos estudantes em cada tecnologia que foi necessária para a construção do artefato, foi criado um objeto artístico que fortalece a ideia de que a robótica não está relacionada apenas às áreas de estudos das engenharias e ciências exatas, mas às artes e às ciências humanas.

Quais características são importantes para um bom especialista em robótica?
Vontade e curiosidade de saber como as coisas funcionam, disposição para desconstruir e ressignificar objetos e organização para conduzir projetos e pesquisas.

Como é fazer parte de um projeto tão transformador?
Sinto gratidão por poder atuar com o nosso time e imaginar que podemos contribuir para o aumento das experiências na área da robótica e na decisão de algumas pessoas em dedicarem seu tempo à pesquisa e multiplicação de conhecimento.

Qual é o impacto do ROBÔLIVRE na sua vida?
O ROBÔLIVRE me permite trabalhar com o que eu gosto, faz com que me sinta útil ao impactar a vida de várias pessoas e permite que eu me divirta interagindo com os colaboradores que são grandes amigos.

Pretende levar para mais lugares além de Recife?
Atualmente, executamos projetos de transformação social no Recife e no interior de Pernambuco, como Belo Jardim, no Agreste. Já rodamos todo o país com eventos, palestras e fazendo parcerias com grupos de pesquisas. Temos gente para iniciar projetos em vários estados e pretendemos viabilizar em breve.

O que é Antropologia da Moda? O que leva uma pessoa a adquirir determinada peça? De que forma a sociedade e a individualidade influenciam nessa decisão? Hoje é dia de ter uma conversa afinada com a doutora em Antropologia Social Hilaine Yaccoub, que esclarece essas questões e reflete acerca do papel da moda na nossa sociedade.

Consultora independente, pesquisadora de Antropologia do Consumo e palestrante, ela atua há mais de 15 anos no mercado, explorando sua habilidade especial em lidar com mercados, negócios e pessoas. “Sou uma entendedora de gente. Procuro saber o porquê das coisas serem como são, as razões das pessoas, como elas pensam, como expressam sua historicidade através das escolhas de consumo e gosto”, explica a antropóloga, que considera a moda uma forma lúdica de expressão.

Confira a entrevista:

O que é Antropologia da Moda? Como ela nos ajuda a entender a sociedade contemporânea?
A moda é uma construção cultural, exprime identidades, momentos históricos, estratificação social e não há sociedade que não haja estratificação. Através do que se veste, emitimos mensagens, a moda é o resultado de uma tensão paradoxal entre o desejo de imitar os outros e o de nos distinguir. Como é um fenômeno intrinsecamente imerso dentro de uma expressão de cultura, a Antropologia da Moda é uma área que visa entender os significados utilitários e simbólicos acerca dos ornamentos, das expressões e dos signos de um tempo, ou de um determinado grupo. Assim nos ajuda a entender dinâmicas socioculturais, protocolos de ação e expressões de signos de poder, beleza, etc.

Qual é a importância dela na Antropologia do Consumo?
O consumo está presente em todas as sociedades humanas, a economia e o próprio consumo não se destacam porque encontram-se enraizados na vida social, e suas práticas não se distinguem ou se separam das demais práticas sociais. Ou seja, o consumo está naturalizado nas nossas ações cotidianas, consumimos o tempo inteiro sem perceber. As pessoas nunca consomem somente coisas e suas respectivas funções utilitárias. Elas consomem os sistemas classificatórios, as constelações de valores e de significados nas quais os bens estão incluídos e imersos. Faz parte de um dos recursos que temos para nos distinguir, nos incluir socialmente. As pessoas não consomem roupas, elas consomem o que a roupa significa em dado contexto.

Qual é o papel da moda na formação da identidade das pessoas e, consequentemente, da sociedade?
A moda é uma linguagem, é uma expressão no espaço-tempo. Através da moda construímos máscaras sociais, nos vestimos de mensagens. Uma camiseta com determinada frase é um outdoor do que se acredita. O uso de um jeans em um evento formal também traz um significado. A moda é a forma lúdica dos indivíduos se expressarem, destacando-se ou simplesmente obedecendo protocolos de ação. Sempre pensamos em indumentárias específicas para certas ocasiões, ou simplesmente o fato de achar que não se pensa e “usar qualquer coisa” já é uma escolha. Moda reflete nosso gosto, que é formado por uma identidade social influenciada pelo nosso repertório e referências para apreciação das diversas formas de expressão artísticas.

A moda é uma maneira de se diferenciar ou se sentir parte de um todo?
As duas coisas. Como disse antes, a moda é uma forma de distinção e inclusão social. Em determinado grupo se pode ousar e de repente usar acessórios que chamem atenção e seja percebido como alguém supercool e antenado, e para outro grupo que está habituado a investir em acessórios simplesmente não se destacar por isso, mas sentir-se parte daquele conjunto de indivíduos que partilham dos mesmos gostos ou afinidades para adereços.

Se você pudesse escolher 5 palavras/termos para relacionar com a moda, quais seriam?
Identidade, cultura, mensagem, flexibilidade, escolha.

A forma que uma pessoa se veste revela o que sobre ela?
Somos expressão daquilo que escolhemos. Temos à mão um shopping center de estilos, e podemos ainda assim misturar, customizar, diversificar os usos das coisas. Cores, tecido, estilo da tatuagem, corte de cabelo, modos de usar acessórios e roupas revelam muita coisa sobre quem as usa, quem escolheu e não é sobre compra, mas sobre a arte de juntar as peças e combinar itens para enviar uma mensagem. Mesmo que alguém diga que não foi intencional, não importa, vivemos em  sociedade, e em todas as sociedades, das mais tradicionais como tribos remotas às tribos urbanas, revelamos o nosso estado através de moda. O que muda é a forma de como se expressar.

Por que muitas pessoas criam uma relação de afeto com roupas?
Porque elas fazem parte de memórias de uso, ou de um desejo muito postergado de compra. Certa vez depois de uma palestra sobre antropologia da moda, uma pessoa me procurou para relatar uma história. Ela era uma jovem estudante que iniciou sua vida profissional como auxiliar de escritório num renomado escritório de advocacia. Ela se vestia de forma simples, não tinha muito recursos para investir na sua aparência, mas percebia como as advogadas montavam seus looks, cores, modelagens, e uma coisa chamou muito atenção foi a marca de sapatos que costumam usar. Aquela marca ficou na cabeça daquela jovem por muito tempo até que ela conseguiu comprar uma sapatilha da marca. Para ela foi tão importante que parecia que estava comprando uma joia (palavras dela). Ela construiu uma relação de afeto, na verdade a sapatilha era um objetificação de sucesso, um troféu de que ela poderia conseguir tudo que quisesse através do esforço e trabalho.

Além disso, o que usamos nos remete a uma história que vivemos, a primeira saída com o namorado, ou o vestido de casamento, ou o que usamos na nossa formatura, atribuímos significados simbólicos porque os objetos expressam sentimentos, na verdade eles intermeiam afetos, relações sociais, etc.

Como as redes sociais vêm revolucionando a relação dos consumidores com seus objetos de desejo?
As redes sociais viraram uma grande vitrine de consumo e desapego. Como estamos num campo imagético, conseguimos passear por vários “corredores” de shopping sem sair de casa, na palma da mão. Vemos pessoas que admiramos usarem determinado corte de cabelo ou peça de vestuário. Já nos sentimos instigados a farejar de onde é, quanto custa, se é possível comprar pela internet. Ao mesmo tempo há uma tendência muito forte em vender ou comprar itens usados, as fotos nos garantem bom estado das peças e seguimos nessa busca por barganhas. Nos tornamos cães farejadores de trufas, os mais treinados encontrarão as riquezas que existem na web com maior facilidade.

Durante a vida, podemos mudar de estilo. Até que ponto essa transformação é um reflexo social e até que ponto é uma mudança de comportamento que traduz as diferentes fases da vida?
Possuímos códigos de conduta em todos os contextos de vida. Esses códigos mudam conforme o tempo, mas mesmo que alterados são evidenciados e cobrados socialmente. Se temos determinada idade para iniciar a vida profissional, temos necessariamente que nos vestirmos para tal ocasião. A não ser que nossa profissão nos dê maior elasticidade de escolhas do que usar. Ao me transformar em consultora e falar diretamente para CEOs de grandes companhias, eu tive que mudar minha maneira de me vestir. Aprendi a investir em uma aparência que condiz com minha identidade pública, a que eu de fato gostaria de transmitir. Acredito que um personal stylist ou um consultor de estilo é de grande relevância na vida de qualquer pessoa quando há dúvidas sobre qual a imagem que se transmite. Mudamos de cargo, faixa etária, corpo, nos tornamos mães. Como fazer para transmitir a imagem da nossa melhor versão? Somos avaliados, classificados, medidos, qualificados a todo instante. Um esmalte descascado para um determinado grupo pode parece supercool, mas para outro um sinal de descaso, desleixo, etc.

E a sua relação com a moda, como é?
Depois de mudar meu guarda-roupa quando saí do mundo universitário/acadêmico para ser uma consultora, aprendi que poderia investir em peças minimalistas, em slow fashion, em tecidos que tenham boa duração e caimento. Eu amo moda, adoro acessórios e gosto muito de produtores locais. Me considero extremamente perspicaz em encontrar peças que se adequem ao meu corpo, eu acredito em uma moda que me sirva, e não o contrário. No armário tenho peças que vão desde o 44 ao 46, justamente porque oscilo de peso com frequência, dependendo do humor, do período que esteja, se trabalho mais na rua emagreço, se trabalho mais de casa engordo. Pode parecer um verdadeiro terror, mas com o acervo que montei vou adequando as peças ao meu estado.

Como você descreve seu estilo? Como ele se relaciona e reflete com seu estilo de vida?
Eu sou uma antropóloga bem-vestida, com uma base minimalista e uma paleta neutra, tecidos de caimento que me dão fluidez e prazer ao toque, preferencialmente os que não amassam, pois viajo bastante e preciso de conforto e elegância. Os colares de miçangas ficaram no passado, mas as sementes continuam fazendo parte do meu acervo, hoje são biojoias que contam histórias de viagens ou de produtores locais que amo. Os sapatos, em sua maioria, também são feitos à mão, primam pela qualidade e durabilidade. Eu não me importo de pagar caro por saber a procedência, conforto e beleza de determinado item.


Vestidas de amor de sobra

Com a Vanessa Campos, a vida é amor de sobra. Para dar, sem vender. E essa “sobra” vai além: dos tecidos de marcas de roupa reunidos por ela para confeccionar vestidos e aquecer corações de meninas em alta vulnerabilidade social ao redor do mundo. Embaixadora da ONG Dress a Girl Around The World em Portugal, a brasileira Vanessa hoje se dedica integralmente a esse lindo projeto que, junto com a ajuda da Maria Filó, ao todo já doou 500 mil vestidos a 81 países.

A vontade de fazer o bem acompanha Vanessa por longa data. Se no passado ela alfabetizou voluntariamente funcionários da faculdade onde estudava, hoje entrega o 1º vestido da vida de milhares de meninas. Ao mesmo tempo em que as protege e melhora autoestima delas, proporciona um novo propósito para a vida de senhoras que tornam-se costureiras do projeto.

Antes disso, trabalhou durante 23 anos no mercado financeiro, até ter condições de retomar os mesmos sonhos da juventude: fazer a diferença na vida de quem precisa. Para Vanessa, a vida não a satisfaz de só estiver boa para ela. Um desejo para o futuro? Alçar novos voos como piloto voluntária.

Que nem o céu seja o limite para essa mulher tão generosa, admirável e inspiradora!

Vestidas de amor de sobra

Conta um pouco da sua trajetória para a gente.
Estudei Letras, fiz pós em Comércio Exterior e MBA em Finanças. Trabalhei 23 anos no mercado financeiro. E sempre amei viajar.

Quando e como decidiu se tornar ativista social?
Sinceramente não me considero uma ativista social. Eu só gosto de fazer o bem. Comecei a fazer vestidos para o Dress a Girl americano em fevereiro de 2016. Quando me mudei para Portugal, fui convidada para ser a embaixadora do projeto aqui.

Era uma vontade antiga ou te deu um “estalo”?
Eu sempre ajudei as pessoas que estavam a minha volta que tinham uma vida mais difícil que a minha. Fazer o bem me faz bem e não sei ser diferente disso.

Já começou no Dress a Girl?
Não. Comecei quando fazia faculdade. Na época um grupo de alunos tomou a consciência que era  um absurdo estudarmos em uma universidade  e termos funcionários analfabetos. Então reunimos alunos de várias áreas, o pessoal de Engenharia dava aulas de matemática, o pessoal de Letras cuidava da alfabetização, etc. Dávamos aulas para os funcionários do bandeijão, da limpeza e do jardim. Ali, há 30 anos, aprendi o conceito de solidariedade. A gratidão dos funcionários por não serem mais analfabetos me marcou para o resto da vida.

Vestidas de amor de sobra

Você tem contato com as meninas que ajuda?
Quando viajo sim, tenho a oportunidade de entregar os vestidos pessoalmente a elas, mas fora isso não. Lidar com a realidade da África não é fácil e manter vínculos seria muito complicado.

Qual é a sensação de fazer parte desse projeto e ajudar tantas crianças?
Em pouco mais de 1 ano, sem aceitar um único centavo em dinheiro, já distribuímos mais de 7200 vestidos por 12 países da África. A sensação de poder dar o primeiro vestido novo da vida de uma menina é uma delícia. Infelizmente, as meninas na África ainda são as menos favorecidas. Quando damos um vestido, muitas vezes temos que insistir, porque elas nem acreditam que os vestidos são para elas. Nós ainda tomamos o cuidado de colocar uma calcinha dentro de cada bolso e quando elas descobrem é uma alegria. A cereja do bolo!

Vestidas de amor de sobra

Você é mais feliz hoje? Esse encontro te mudou?
Mudou e muito, eu sempre tinha uma inquietude que me fazia pensar constantemente em alguma forma de fazer a diferença na vida de alguém. Eu sempre olhava a minha volta, porque a vida não me satisfaz se tiver boa só para mim. Hoje sei que fazemos a diferença na vida de muitas meninas que recebem seu primeiro vestido novo. Damos a elas proteção, dignidade e melhoria da autoestima. Paralelo a isso, fazemos a diferença na vida de centenas de senhoras que costuram estes vestidos. Proporcionamos a elas um novo propósito. Muitas dizem que não tinham motivo para acordar, para tirar o pijama ou para tomar banho e hoje acordam animadas para costurar os vestidos. Muitas destas senhoras relatam melhora de depressão, ansiedade e outras doenças afins. Hoje, além de estar implementado em 22 ateliês solidários espalhados pelo país, o projeto tem sido implementado em vários centros de idosos e alguns médicos já têm recomendado o projeto como terapia ocupacional. Então é muito bom saber que fazemos a diferença na vida de tantas pessoas.

Vestidas de amor de sobra

O que aprendeu de mais precioso nessa jornada?
Aprendi que precisamos de muito menos para ser feliz. Na escalada da vida, nos impomos padrões compatíveis com nosso modus vivendi que, por melhor que seja, não lhe satisfaz se não fizer parte da sua essência. Quando pensei em sair do mercado financeiro, onde trabalhei por 23 anos, fiz uma reflexão do que eu queria quando tinha 20 anos de idade. Naquela época, eu já sabia o que queria, mas não tinha dinheiro para realizar. A vida nos envolve num ritmo louco e, quando a gente se dá conta, passou a ter ambições que não nos dizem nada. Então nada melhor do que retomar o que queríamos aos 20, sem grandes complicações.

Vestidas de amor de sobra

O que inspira seu dia a dia?
Como diz a música do Almir Sater: “É preciso amor para poder pulsar… É preciso paz para poder sorrir”.

Como e quando foi morar em Portugal?
Eu e meu marido morávamos na Flórida e, como tenho cidadania portuguesa, em maio de 2016 decidimos fazer uma experiência de morar em Portugal por 1 ano. Eu já participava do projeto lá e decidi lançar aqui. Ele tem sido um sucesso. Em paralelo nos sentimos tão acolhidos que resolvemos vender a nossa casa e nos mudamos de vez para Portugal.

Vestidas de amor de sobra

Como a pilotagem de avião entrou na sua vida?
Outro dia minha mãe me mostrou um desenho que fiz quando tinha uns 10 anos. Nesse desenho eu era piloto de um helicóptero e resgatava uma criança. Eu tenho um amigo no Rio que tem um pequeno avião e há 20 anos me levou para voar pela primeira vez, nunca tinha voado numa aeronave tão pequena, mas adorei e ia sempre que era convidada. Depois, casei com um piloto que é meu grande parceiro em tudo e ama aventuras como eu. Quando ele decidiu se aposentar, resolvemos realizar este sonho. Meu sonho é ser piloto voluntária, mas ainda não cheguei lá.

Uma frase…
Menos é mais.