A arte de resistir

Foto: Beth Moon

Mais do que belas imagens, a fotógrafa americana Beth Moon viajou por aí captando alguns dos habitantes mais antigos e importantes da terra. Depois de uma longa pesquisa, ela encontrou e fotografou algumas das árvores mais velhas e imponentes que ainda restam, sábias e majestosas, em alguns dos lugares mais remotos do mundo.

Foto: Beth Moon

Foram 14 anos mapeando e procurando essas belíssimas árvores ancestrais, entre desertos e florestas da China, Índia, diversos países da África, Europa e Américas. Algumas chamaram atenção pela força e beleza, outra pela idade, outras pela magnitude, mas todas elas, sem nenhuma dúvida, encantam pela potência do que representam.

Beth Moon

Foto: Beth Moon

São árvores que resistem por séculos, assistindo os efeitos do homem sobre a natureza e todas as mudanças que acompanham nossa história, sem dúvida uma experiência única estar perto delas. “Uso basicamente três critérios para escolher determinadas árvores: idade, um tamanho muito grande ou história notável. Eu pesquiso as localizações por uma série de métodos: livros de história, livros botânicos, registros e árvores, matérias de jornais e informações de amigos e de viajantes”, diz a fotógrafa.

As fotos lindas estão reunidas no livro “Ancient Trees: Portraits of Time” e, além de encantar, mostram que essas árvores têm muito para nos ensinar sobre resistência e preservação da nossa natureza e história.

Jardinagem de guerrilha

Você já pensou se de repente naquele canteiro largado, ali bem perto da sua casa, acordasse um lindo jardim florido?

Jardinagem de guerrilha

Foto: www.taupuslaistymas.lt

Na jardinagem de guerrilha, que pode ser enquadrada como um movimento de ativismo político, qualquer espaço urbano ocioso é um alvo em potencial. Terrenos baldios, caçambas vazias, carroçarias de carros abandonados e uma infinidade de outros elementos urbanos podem sofrer intervenções de ações de guerrilha, que normalmente são feitas durante a noite.

Jardinagem de guerrilha

Foto: www.taupuslaistymas.lt

O movimento, que abrange um diversificado leque de pessoas e motivações, visa provocar mudanças através de “ação direta”. A terra ajardinada pelos “jardineiros-guerrilheiros”,  com espécies nativas, culturas alimentares ou plantas ornamentais, é normalmente abandonada ou negligenciada por seu dono legal e torna-se, após a ação de guerrilha, em uma área mais atrativa e com um novo propósito.

Jardinagem de guerrilha

Fotos: melbourneartcritic.com | blogs.hsc.edu

Mas desengane-se você, que pensa que as plantações ilícitas que vêm embelezando várias cidades do mundo são só a última moda em algumas dessas cidades. Liz Christy organizou o primeiro grupo de Green Guerrilla nos anos 70, época em que o termo foi empregado pela primeira vez.

Que as bombas sejam sempre de flores!

108 anos do nascimento de Burle Marx

Burle Marx

Foto: The Plant Hunter

Artista plástico de formação, paisagista por vocação: Burle Marx foi pintor, escultor, tapeceiro, ceramista e designer de joias, além de se ter destacado como o mais relevante paisagista modernista do mundo.

Flores foram parte da sua infância. Cresceu rodeado pelas rosas, begônias, antúrios e gladíolos da sua mãe. Mas foi na juventude, durante sua estadia na Alemanha, que Roberto Burle Marx se apaixonou pela beleza e diversidade da vegetação brasileira, quando visitou uma das estufas do Jardim Botânico de Dahlem, em Berlim, o qual passou a visitar semanalmente.

Burle Marx

Fotos: artsy.net

Sua formação em artes plásticas influenciou de forma decisiva sua obra como paisagista, tanto na criação e organização de seus jardins, quanto em seu trabalho inovador com pedra portuguesa, propondo novas geometrias, muito diferentes dos desenhos e padrões clássicos. Ambos, quando vistos de cima, se assemelham a verdadeiras pinturas de nuances cubistas.

Burle Marx

Fotos: artsy.net

Mas seu declarado fascínio pela flora nativa do Brasil o impeliu a liderar diversas expedições à Amazônia, Mata Atlântica e outros biomas brasileiros, em busca de espécies de valor ornamental. A introdução de muitas dessas “descobertas” botânicas,no paisagismo se tornou uma das características mais marcantes de sua obra, a par das suas intervenções ao nível da calçada.

Fotos: Garden Design

Foi em Barra de Guaratiba, no litoral do Rio de Janeiro, que Burle Marx encontrou o local perfeito para organizar sua enorme coleção botânica, uma das mais importantes do mundo. Ao longo de 45 anos, o paisagista alimentou o acervo onde predominam espécies de plantas autóctones do Brasil. Nos últimos 20 anos de sua vida, o espaço foi também sua residência particular, considerada o mais valioso documento da obra de Burle Marx.

Fotos: Divisare

 

Verde sobre azul

Ravello

Imagens: The Ravello Coastline, 1926 – Peder Mork Monsted | wikitravel.org

Na nossa mais recente coleção – Cocktail Stravaganza – , convidamos você a embarcar conosco em uma incrível viagem pela Itália.

Aqui, no Além das Flores, achamos que esta jornada não estaria completa sem aquela bela passeggiata por Ravello e seus jardins, que diferentemente de outros vilarejos ao longo da costa, não impressiona pelas suas praias, mas pelo “mar inteiro”.

Ravello

Foto: slowitaly.yourguidetoitaly.com

Entre o céu e o mar, a mais de 350m de altura se debruçam os jardins e terraços das Villa Cimbrone e Villa Rufolo, dois daqueles lugares que assim que você pisa logo entende o porquê de já terem inspirado o trabalho de tantos artistas relevantes na música, pintura e literatura.

Fotos: Slow Italy | Benvenuto Limos

Com origem que remonta ao séc XI, Villa Cibrone – a coroa de Ravello – teve seus jardins amplamente renovados pelo nobre britânico Lord Grimthorpe no início do século XX. A Villa é hoje um hotel privado de cinco estrelas, mas os jardins estão abertos ao público e são eles, junto com os jardins da Villa Rufolo, que oferecem a vista mais memorável da Costa Amalfitana.  O espetáculo acontece também dentro dos jardins, principalmente no verão, quando as glicínias da passagem principal – Viale dell’Immenso – estão em plena floração.

Fotos: robyketti.tumblr.com | Belle Italy

A Villa se estende como um longo parque onde é possível deambular pelos seus amplos jardins adornados por estátuas, fontes e pequenos templos, adentrar suas grutas artificiais, se perder no roseiral e finalmente desembocar no Belvedere, a Terrazza dell’Infinito, com sua  dramática vista sobre o Mediterrâneo se desenrolando aos pés.

Fotos: Poesias Preferidas | Design Nack

Dona de uma vista igualmente impressionante, a Villa Rufolo foi construída por uma abastada família de comerciantes no século XIII, tendo sido recuperada no século XIX, após longo período de negligência, pelo botânico escocês Sir Francis Neville Reid, que se apaixonou pelas torres mouriscas e pelas suas surpreendentes e inigualáveis vistas.

Ravello

Fotos: Slow Italy | My Italy Trip

Magníficos jardins se desdobram em diferentes níveis e configuram, junto à vista para o mar, o ponto alto da Villa. Mar e céu servem de pano de fundo a enormes pinheiros mansos e a jardins de numerosas flores. Ao panorama do azul do Mediterrâneo, por si só inspirador, somam-se assim as infinitas cores do jardim. Essa paisagem pode ser ainda mais arrebatadora quando observada de uma das duas grandes torres da Villa.

Fotos: Pinterest I love Ravello | 2.bp.blogspot.com

A experiência fica completa se a todo este cenário juntarmos música. Não raras vezes os terraços de Villa Rufolo são palco de concertos de música de câmara e clássica, incluindo o famoso Ravello Festival. Apesar do acompanhamento imprevisível de ruídos estranhos, qualquer imperfeição para o ouvido é mais do que recompensada pelo espetáculo que confronta o olhos, quando o palco tem como cenários o Golfo de Salerno e a costa escarpada de Amalfi.

Fotos: ciaoamalfi.com | Home Sweet World

Agora, suba na garupa da Vespa porque a viagem continua. Até a próxima parada!

Vitória-régia à flor da pele

Vitória-régia

I Love Flores

Impossível não ficar encantada com a beleza efêmera das flores que perfumam todo ano as vitórias-régias (Victoria amazônica) desde março até este mês. Durante esse período, elas pincelam de branco e rosa as águas amazônicas e alguns raros lagos e espelhos d’água urbanos e privados Brasil afora.


(Fotos: Indulgy | Pinterest)

Mas não é preciso estarem floridas para despertarem admiração. Mesmo durante todos os outros meses, elas nos deixam boquiabertas com sua magnitude e exotismo.

Vitória-régia

Imagens: Pinterest

Fotos: Indulgy | Pinterest

Singulares, com suas enormes folhas circulares de bordas elevadas, as vitórias-régias apresentam uma intrincada rede de canais na face superior da folha para a drenagem da água. Suas particularidades vão muito além do que revelam à superfície. A parte inferior é espinhenta, avermelhada e com uma gama de grossas e escultóricas nervuras.

Vitória-régia

Foto: Cultura Mix

As flores nascem num final de tarde para seduzirem besouros polonizadores, que atraídos por seu doce aroma ficam aprisionados em duas flores fechadas até à manhã seguinte, quando voltam a se abrir. Grandes, exibem-se brancas no primeiro dia de floração para se tornarem rosadas no segundo, quando após a polinização voltam a submergir na água para formarem o fruto.

Imagens: Pinterest

Por serem tão especiais, estas gigantes aquáticas desde sempre motivaram crenças, inspiraram lendas indígenas e fascinaram artistas.

E por sua aparência absolutamente única, mentes criativas e olhares aguçados, insistem em retratá-las com seus cliques geniais, ou no mínimo curiosos, desde que a fotografia ainda não podia compreender as suas cores.

Fotos: In Times Gone By | Wikimedia

Agora só falta viajar até a Amazônia para sentir esse perfume de perto, imagina?