Viva la vida

Frida Kahlo

Imagem: divulgação

Na última quarta Frida Kahlo faria aniversário. Não que nos falte razão para sempre lembrar da grande artista mexicana, mas a data nos fez rever os motivos pelos quais ela é uma das maiores pintoras e grandes mulheres de todos os tempos.

Frida Kahlo

Imagens: reprodução

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu em seis de julho de 1907, na Cidade do México, em plena revolução mexicana, o que talvez tenha feito dela uma grande revolucionária durante toda vida. Sua paixão pela própria cultura pode ser percebida nos seus tradicionais vestidos floridos e na natureza sempre presente em sua pintura.

Frida Kahlo

Imagens: divulgação/reprodução

 

Em viagem aos EUA, Frida não se encantou nem um pouco pelo padrão de beleza de Hollywood, que vivia seu auge de ouro entre divas que admiramos até hoje. Pelo contrário, a musa mexicana contestou o padrão vigente e seguiu com seu estilo característico, com o buço marcado e as sobrancelhas fortes, que se tornaram sua marca registrada.

Frida Kahlo

Imagem: reprodução

Seu pai e seu avô eram fotógrafos, o que talvez tenha influenciado muito seu estilo de pintura mais consagrado, os autorretratos. Nos quadros criados por Frida estavam expostas suas dores e fragilidades, como um diário aberto de sua vida, mas também de seu amor pela criação. “Ao pintar a si mesma sangrando, chorando, aberta ao meio, ela transmutou sua dor em arte com extraordinária franqueza, temperada com humor e fantasia”, diz sua biógrafa, a historiadora Hayden Herrera.

Seu último quadro antes de falecer, aos 47 anos, mostra imagens de frutas tropicais e coloridas, e se chama “Viva la vida”. E que vida ela viveu!

Na estrada, entre neons e cactos

Novo México | Rota 66

Foto: www.voupracalifornia.com.br

Localizado entre os desertos do Texas e do Arizona, ao norte da fronteira com o México – “The land of enchantment” –, a paisagem que encantou a nossa musa inspiradora, Georgio O’Keeffe: o Novo México.

Trecho 6 da Rota 66, com 360 km de terras laranjas, neons e cactos. A leste, a paisagem plana e seca, a oeste, a topografia se exalta e a paisagem se enche de tonalidades ainda mais quentes.

Novo México | Rota 66

Fotos: www.elisabettarosso.com | Etsy

O trecho que atravessa o estado do Novo México é mais longos da rodovia, uma injeção de liberdade e a sensação de estar numa cena de filme. Cidades fantasmas, paisagens incríveis e uma energia quase nostálgica ajudam a compor um dos mais belos cenários de toda a Rota 66.

Novo México | Rota 66

Fotos: www.photoblog.com/bcofer | honeymoonsgalore.com

Um dos pontos altos da estrada que corta o Novo México é o famoso corredor de letreiros neon em Tucumcari. Eles são uma forma dos motéis e estabelecimentos comerciais à beira da estrada chamarem atenção de quem passa por ali. Uma constante necessidade de atrair os viajantes.

Novo México | Rota 66

Fotos: Bill McKibbon | creativecan.com

Outra cidade de destaque é Albuquerque, a maior do estado, famosa por ser o local de filmagem das séries Breaking Bad e Better Call Saul. Santa Fé, capital do estado e cidade escolhida por Georgia O’Keeffe para morar durante grande parte da sua vida, também merece ser vista. Vale muito a pena sair alguns quilômetros da histórica rodovia e explorar as paisagens retratadas pela pintora.

Sem dúvida são as paisagens, as mesmas que inspiraram O’Keeffe, que continuam a seduzir quem se aventura pela rota e se desafia a explorar o seu entorno.

Para meninas e mulheres

História de ninar para garotas rebeldes

Imagem: reprodução/divulgação

Para as mães e para as filhas, para crianças e para as grandinhas, para mulheres como eu e você, esse livro que acaba de ser lançado no Brasil merece muito a leitura. E a releitura, sempre. Afinal, não faltam inspirações em suas páginas.

“Histórias de ninar para garotas rebeldes” é uma criação de duas italianas, que andavam cansadas de contos infantis cercados de princesas desprotegidas à espera de um príncipe encantado. Esse está longe de ser o exemplo que seguimos e que queremos dar às nossas meninas, que crescem cada vez mais cercadas por mulheres fortes.

História de ninar para garotas rebeldes

Imagem: reprodução/divulgação

O livro apresenta uma coleção de mulheres reais incríveis, que em áreas como arte, ciência, ativismo social, moda e esporte fizeram e ainda fazem a diferença. Entre elas, estão Frida Kahlo, Coco Chanel, Malala e até Cleópatra, que marcaram e revolucionaram a história.

As brasileiras não podiam ficar de fora. Também estão no livro a surfista de ondas gigantes Maya Gabeira e a poetisa Cora Coralina. Embora saibamos que ainda existem muitas outras memoráveis, nos sentimos bem representadas. E você?

História de ninar para garotas rebeldes

Imagem: reprodução/divulgação

Para passar o fim de semana com pés para cima e bem acompanhada!

Ninguém igual a Ella

Ella

Foto: divulgação

Inspirada pela trajetória da americana Georgia O’Keeffe, nossa coleção revisita a Era do Jazz que despontou nos anos 20, época em que a pintora dava os mais importantes passos de sua linda e longa carreira. E nenhuma outra, mas a “primeira dama da canção”, Ella Fitzgerald é a primeira a embalar nossos dias com a batida que como nenhuma outra soube cantar igual a ela.

Conhecida pelo timbre que beirava a perfeição, “Lady Ella” esbanjava voz cristalina, dicção perfeita e uma timidez charmosa que a acompanharam por 59 anos de carreira. Tudo começou por acaso, nascida na Virgínia, ainda menina sonhava mesmo em ser dançarina, mas para nossa sorte aos 17 anos encontrou o microfone, iniciando uma grande paixão.

Ella 2

Fotos: divulgação

Por anos Ella acompanhou como cantora principal em big bands, forma popular de apresentação de jazz pelos EUA, cantando grandes clássicos da época. Mas não demorou muito pra que tivesse sua própria banda e começasse a rodar o país com suas canções.

Atenta ao seu tempo, soube dançar conforme a música e agregou ao repertório canções de bebop e scat, ritmos que começavam a se destacar nos anos 40. Assim revitalizou sua carreira, que atingiu o ponto máximo regravando os maiores compositores americanos na série de Songbooks, considerados os primeiros álbuns pop da história, numa bela homenagem a Cole Porter, Duke Ellington, Gershwin e até o nosso Tom Jobim.

Brilhante e inesquecível, ela é a primeira entre grandes mulheres do jazz que marcaram para sempre a história da música. E que teremos muito prazer em relembrar.

Com vocês, Ella:

A realidade aumentada de Georgia O’Keeffe

Blue Morning Glories (1935) | Hibiscus with Plumeria (1939) | Jack in the Pulpit II (1930) | Black Iris (1926) | Grey Lines with Black, Blue and Yellow (1923) | Jack in the Pulpit IV (1930)

Muitos a consideram a mais autêntica expressão do modernismo norte-americano, outros se recusam a encaixá-la em qualquer movimento artístico específico, senão o seu próprio. O  que ninguém discorda é que Georgia O’Keeffe está entre os principais nomes da pintura do séc. XX.

De Chicago à efervescente Nova Iorque do jazz, nos anos 20, de Manhattan à quieta e dura paisagem do Sudeste norte-americano, Georgia O’Keeffe trilhou um caminho que se confunde com a sua própria arte. O Novo México foi seu lugar escolhido para viver, mas foi na arte que encontrou seu verdadeiro lugar no mundo.

Georgia O'Keeffe

Oriental Poppies (1927)

Costumava dizer que na sua vida – sobretudo enquanto mulher – ela sempre tinha alguém dizendo a ela o que fazer, mas que na sua arte, ninguém poderia fazê-lo, lá ela tinha espaço para ser livre.

E se todo o artista tem suas obsessões, a maior de O’Keeffe talvez tenham sido as flores. Ela as representava fazendo um uso dramático e inovador da cor e da forma, sempre em uma escala macro, sob uma espécie de lente de aumento. As flores da artista são tão ampliadas que chegam a reduzir o espectador à perspectiva de um pequeno beija-flor polonizador.

Georgia O'Keeffe

Trombeta II (1932) | Pineapple Bud (1939)

Muitas vezes, cada uma das partes das flores aumentadas da artista era simplificada até sua forma geométrica mais básica, assumindo-se então como uma audaciosa abstração, uma evocação no lugar de uma representação literal da flor.

“Ninguém vê uma flor — realmente — é tão pequena — não temos tempo… eu disse para mim mesma — pintarei o que vejo — o que a flor é para mim, mas pintá-la-ei grande e ficarão surpreendidos por terem tempo para a vê-la.” (Georgia O’Keeffe)