Da Filó para o mundo

Carol Lenz 1

Sabe aquelas pessoas que fazem acontecer? Carol Lenz é dessas. Formada em Design, a atual sócia do Coletivo Estampa é ativa por natureza. Virginiana, ela tenta sempre alcançar o melhor resultado possível (e mais bonito, afinal seu ascendente é em Leão). É como a ilustradora mesma diz: o ótimo é inimigo do bom.

Foi motivada por essa energia que ela fundou a própria empresa, estudou pós-graduação em Estamparia, fez cursos de desenho em Londres e criou a primeira feira de estamparia do Brasil, a Print RJ, que teve sua 3ª edição agora, em março.

Após 6 anos trabalhando na Maria Filó e crescendo junto com a essência da marca, um belo dia, em 2013, ela resolveu mudar. Levou todo o aprendizado daqui para sua nova fase. Hoje ela continua próxima, desenhando estampas para diversas marcas brasileiras, norte-americanas, chinesas, australianas e turcas.

Se você for carioca e quiser conhecer a designer de pertinho, fica a dica: hoje, às 18h30, ela comanda um bate-papo sobre o processo criativo do desenvolvimento de uma estampa. Vai ser lá na Casa Rosa da Gávea, que abre as portas para o coletivo de moda Carandaí 25.

Voa, Carol!

Confira a entrevista:

Você sempre quis se especializar em estampa?
Não. Foi totalmente por acaso. Eu era gerente de Design na Maria Filó, um dia fui ajudar a fazer uma estampa e acabei indo para a Estamparia.

Como você decidiu criar sua própria estamparia? Quando foi isso?
Precisava de um espaço maior, expandir meu lado de criação. Me juntei com minha sócia e criei o Coletivo Estampa.

Como é viver de criação?
É muito bom quando o resultado acontece. É uma delícia, mas tem que ter resultado. Procuro entender a marca, ela deve ser estudada em sua plenitude. É feita uma curadoria, procuro entender os detalhes para ser bem assertiva e faço a leitura do resultado comercial. Tentar conciliar esses dois lados é meu desafio.

Carol Lenz 3

Como você define o seu estilo?
Ele é muito particular. Tenho meu estilo, não adianta. Com a idade, a gente vai ficando mais segura, hoje sei do que eu gosto. Gosto de coisa boa, prefiro pensar na qualidade mais que na quantidade. E nas estampas, prefiro as de bicho e as figurativas. Também gosto de sapatos esquisitos, marcantes, com personalidade. Gosto muito de bolsa também. Na dúvida, saio inteira de jeans.

Qual é o seu lugar preferido para desenhar?
Com uma boa iluminação e música. Sem interferência de outras demandas para me concentrar. Como tenho que ir de marca infantil a adulta, preciso me reinventar e não tem tempo para intervalo.

O que é moda para você?
Moda é se sentir bem confortável com seu estilo. No trabalho, por exemplo, evito fazer julgamento para mergulhar no universo de cada cliente. Não posso me apegar a nenhuma característica minha na hora de criar.

E ser mulher? O que representa para você?
Muito complicado. É uma delícia, desde que a gente não leve a vaidade tão a sério. Hoje eu estou zero sensual, de macacão, confortável, ontem eu estava mais sensual. Minha roupa depende do meu humor, me visto de acordo com meu mood. Ser mulher permite você agir de acordo com o humor. Alguns dias estou maquiada e outros não. Às vezes posso ser feminina, às vezes posso ser masculina. Ser mulher é passear por esses universos. Ser mulher é difícil também diante das cobranças, ainda se cuidar e estar bem e cabeça. A gente tem que ser mais que os homens.

Carol LenzUma cor… Preto ou branco. Cai bem sempre. Gosto de vermelho também.
Me inspira… As viagens. Saio da zona conforto.
Peça-chave no armário…
 Sapato marcante.
Mais inspirador em mim… Coragem para transformar quando não está bom. Tentar não estacionar, ficar na inércia. Sou ativa, gosto de mudanças.
Me tira do sério…
Acomodação, círculos viciosos, falta de coragem para mudar.
Vício/não passo um dia sem… Uma boa gargalhada.
Para deixar a vida mais leve…
Conexão mente-corpo-coração-espírito. Sexo, yoga, meditação, mantra, música, autoconhecimento.
Uma frase/clichê mais verdadeiro… “Time is now”.
Minha marca registrada… 
Sapatos estranhos e estudar meus clientes.
Trilha sonora para criar…  Whipallas, a banda do meu irmão Pedro. Estou viciada na música “Welcome to the star”.
Na tela… “Stranger things”.
Na mesa…  Experimentar tudo.
Na cabeceira… “1Q84”, de Haruki Murakami.
Musa(o) inspirador… Marni. A marca representa de uma forma divertida de criar estampas sofisticadas e tem senso de humor com uma pitada de sensualidade.