À mão livre

Uma mulher singular, com dons manuais que podem ser percebidos num piscar de olhos. Prova disso é que na hora de responder as perguntas dessa entrevista, a Luciana preferiu que fosse por escrito. Até aí, tudo dentro do script. Quando esperávamos um e-mail, recebemos papéis com as respostas dela à mão. E isso diz muito sobre a nossa designer de estamparia: é através das mãos que ela se expressa.

Há 3 anos emprestando tamanho talento para contornos lúdicos que ornam nossas peças, a Lu descobriu sua aptidão para o desenho ainda criança e, anos mais tarde, formou-se em Belas Artes. “Desenhar é tudo na minha vida, meu alicerce. Não consigo imaginar diferente”, revela.

Não para por aí: se no Carnaval você precisa de um adereço especial, a Lu ajuda a criar. Em busca de um lettering bonito? A primeira pessoa em quem pensamos aqui na Filó é ela. Quando o assunto envolve criatividade e beleza, recorremos à nossa designer, que prefere expressar sua essência a imprimir tendências. Seja na forma de se vestir ou ao enviar um texto escrito à mão, o que importa, para ela, é a expressão mais pura de si.

E se a Lu inveja o voo livre das libélulas, acaba encontrando a liberdade na criação, entre tintas e Nina Simone no som. E, claro, os latidos do cão Budah!

Confira a entrevista:

Conta um pouco sobre sua trajetória.
Minha trajetória profissional começou realmente quando ingressei na Escola de Belas Artes, que abriu meus olhos para o infinito leque de possibilidades no campo artístico. Comecei lá no Design de Interiores, mas quando cheguei na parte do desenho técnico, vi que não era a minha praia e pedi transferência para Pintura. Depois fiz inúmeros cursos (joalheria, ourivesaria, ilustração), até chegar na pós-graduação em Design de Estamparia. Apaixonei!

Como é seu dia a dia na Maria Filó?
O meu dia a dia consiste na criação, desenho e concepção de estampas para a marca.

O que você mais gosta no seu trabalho?
O processo inteiro me encanta, desde a concepção do tema da coleção à criação da cartela de cor, até a finalização das artes.

Como e quando você começou a desenhar?
Tenho a arte e o desenho na minha vida desde pequena. Sempre fui incentivada e estimulada pela minha família. Fazia cursos de pintura quando era criança.

O que te inspira?
Tudo ao meu redor. Na realidade, aquela faísca surge de onde menos espero. É preciso estar sempre atenta e curiosa.

Conta uma curiosidade sobre você que só quem te conhece sabe.
Hum… Meu humor! Pela manhã sou rabugenta (risos). E sou muito sensível. Às vezes me pego chorando com uma simples propaganda.

O que você mais gosta de desenhar? Tem alguma preferência?
Difícil mensurar o que mais curto, mas além das criações que faço aqui, tenho uma série de pinturas que intitulei “Espécies”, pinturas que retratam mulheres interagindo com animais de diferentes espécies. Minha intenção nessa série é mostrar que somos todos iguais, com sentimentos, sejamos animais racionais ou não. Estou começando uma nova série, mais profunda e com cunho sensual.

O que desenhar representa para você? O que você sente enquanto está desenhando?
Desenhar é tudo na minha vida. Não consigo imaginar diferente. É meu alicerce.

Se você fosse um desenho/estampa/ilustração, qual seria? Por que ele representaria você?
Acho que seria uma libélula. Invejo um pouco a delicadeza da sua forma e a liberdade de voar que elas têm.

E se esse desenho ganhasse movimento e virasse uma história, qual seria a trilha sonora?
Difícil, mas pensei em “Feeling Good”, da Nina Simone, “No Surprises”, do Radiohead, “Satellite”, da Dave Matthews Band. Tem os sambas também.

Quais são suas principais referências estéticas? Movimento artístico/designers favoritos?
Uma infinidade. Amo um pintor chamado Hundertwasser. Os clássicos, que todo mundo conhece, como Frida, Gauguin, Van Gogh, Jenny Saville, Dorielle Caimi. E por aí vai uma lista enorme.

Tem alguma estampa que mais tenha gostado de fazer? Por quê?
Amo todas, mas uma que me marcou foi a Trilha, uma das primeiras que fiz para cá.

Qual é a sua relação com a moda? Como você descreve seu estilo?
Na minha opinião, estar na moda é se sentir bem e bonita. Não necessariamente acompanhar tendências. Gosto de me sentir bem sob minha pele. Não acho que possuo estilo específico.

Pingue-pongue:

Poderosa ou empoderada? Poderosa.
O mundo é seu ou você é do mundo? Um pouco dos dois.
Mídi ou longo? Mídi e jeans.
Preto ou branco?
Os dois.
Salto ou solto? Solto.
Real ou surreal? Surreal.
Flor ou cacto?
Os dois, contrastes são importantes na vida.
Palha ou pilha?
Pilha.
Mente ou corpo quente?
Os dois.
Eu mudo a moda ou a moda me eu muda? Nenhum dos dois.
Sem dor ou sem pudor? Os dois.
Cara lavada ou maquiada?  Depende do dia e do humor.
Poá ou listras? Poá.
Cachorro ou gato?
Cachorro, o meu principalmente, Budah.
Mar ou montanha? Os dois.

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