Moda, uma paixão escultural

Matheus Costa

Matheus cresceu rodeado pelas linhas, tramas e recortes. Filho de costureira e apaixonado por desenhar, o designer sempre soube que seguiria carreira com viés artístico, mas ainda não tinha certeza se seria arquitetura ou moda. Quando chegou a hora de escolher em qual profissão embarcaria, o dom passado de mãe para filho falou mais alto.

Hoje integrante do nosso time de Estilo, ele consegue trazer suas referências estéticas da arquitetura para as linhas Suite e Noite. Entre formas, geometrias, estruturas e proporções, Matheus ajuda a criar visuais esculturais que transformam qualquer estado de espírito. Além do processo de criação, é isso que mais o encanta: ver uma pessoa se sentindo maravilhosa ao vestir as roupas desenvolvidas por sua equipe.

Matheus Costa

Confira a entrevista:

Conta um pouco sobre sua trajetória. Como veio parar na Maria Filó?
Primeiro eu fiz Belas Artes e me formei em figurino. Estava na metade do curso, participei de um concurso e ganhei uma bolsa para estudar moda. Encarei o desafio de fazer as duas faculdades ao mesmo tempo. Me formei e trabalhei com figurino de ópera, teatro. Sempre fui muito artístico, tenho aptidão para desenho. Entrei aqui há 2 anos e meio como estagiário, fui promovido e agora estou como assistente nas linhas Suite e Noite.

O que você mais gosta na sua profissão?
Desenhar, criar. Trazer referências para a nossa realidade. Atingir expectativa de quem veste, desenvolver uma peça que faça a mulher se sentir bonita, atender as necessidades dela. Criar uma peça e depois ver alguém usando, se sentindo maravilhosa.

Como você começou a desenhar?
Sempre desenhei. Sabia que ia estudar artes, arquitetura ou moda. Gosto muito de arquitetura. Mas acho que a herança da minha mãe gritou mais forte. Ela é costureira há 20 anos, tem uma confecção. Não tinha como não ser isso, sempre tive contato com a criação de roupas. Sou o único dos 3 filhos que seguiu o mesmo caminho que ela.

Matheus Costa

Vocês são muito próximos, né?
Unha e carne. A gente faz tudo junto.

Você consegue trazer a arquitetura para a moda?
A moda bebe muito da arquitetura como referência, tanto estética, quanto de proporções e modelagem. São áreas correlativas, consigo trazer essas inspirações da arquitetura para a moda.

Além de comer um docinho todo dia, o que mais você faz para adoçar a vida?
Trabalhar com o que a gente sempre quis é muito bom. Uma das coisas que mais gosto é falar que sou designer. Trabalhar com o que se gosta é 80% de um bom trabalho. É fundamental para ter um dia legal, passamos tanto tempo trabalhando. E sair no final de semana, viajar, fazer passeios culturais.

Matheus Costa

Como é a sua relação com a moda? O que ela significa para você?
A moda é fundamental para o cotidiano, para as relações interpessoais. A roupa diz muito sobre o que você é, suas ideias, seu humor. Uma maneira de você se expressar. Expresso não só meu jeito, mas transponho toda a minha visão quando desenvolvo produtos. Tem um pouquinho de mim, é um apanhado de referências que trago de toda a minha vida. Moda é acumular um monte de coisa e criar.

Como você descreve seu estilo?
Sou básico, minimalista, moderno, clássico. Jaqueta com corte de alfaiataria, uma perfecto, uma calça mais seca.

Você tem 2 irmãs e 2 sobrinhas, é o único homem da sua família. No Estilo da Maria Filó, você trabalha com muitas mulheres. Como é estar rodeado por nós?
Muito fácil. Passei muito tempo da minha vida com minha mãe, uma figura feminina que topa tudo e corre atrás de tudo comigo. Mulher é muito guerreira, múltipla, faz acontecer, é forte, tem um jogo de cintura maior. Sabe se expressar muito bem. É muito mais fácil para uma mulher se expor, falar.

Matheus Costa

O que é mais bacana entre suas atividades?
A criação, desenhar. Minha chefe me dá total liberdade, ela sempre me incentivou. Temos uma relação incrível. Adoro buscar inspiração, desenvolver o produto dentro da nossa linha.

Se você tivesse uma máquina do tempo, para que época você iria?
Anos 20. A moda seguiu um novo caminho, houve mudança de silhueta, artística, de pensamento. Eu gosto muito de arquitetura modernista, tudo era novo, devia ser bom para criar. Hoje é mais difícil criar algo novo.

Uma viagem inspiradora e por quê.
França. Sempre tive o sonho de conhecer, é um país referência para a moda. Você consegue ter acesso a todas as referências criativas que você viu na vida. O tema do meu projeto de graduação é a Villa Savoye, do arquiteto francês Le Corbusier, que tive a oportunidade de conhecer nessa viagem. Foi muito inspirador, voltei outra pessoa.

Matheus Costa | Villa Savoye

A Villa Savoye, criada em 1928 por Le Corbusier, serve de inspiração para Matheus

O mundo é seu ou você é do mundo? Eu sou do mundo.
Camisa ou camiseta?  Camiseta.
Preto ou branco?  Preto.
Real ou surreal? Surreal.
Eu mudo a moda ou a moda me eu muda?  Eu mudo a moda.
Sem dor ou sem pudor? Sem dor.
Poá ou listras? Listras.
Mente ou corpo quente? Corpo quente.
Mar ou montanha? Mar.

A última romântica

Fabi Oliveira

Figura rara, a Fabi é leve, alto-astral, engraçada, apaixonada, espontânea, estabanada e muito sonhadora. Um dos seus maiores sonhos? Casar numa união com tudo que tem direito. Sempre submersa num mar de referências sobre casamentos, a romântica pisciana sabe tudo sobre o assunto.

Junto a duas amigas, criou uma empresa que realiza chás de panela, de lingerie e “miniweddings”. Em cada detalhe da décor, ela pensa em como contar a trajetória do casal. Aqui na Filó, a Fabi segue a mesma linha. Integrante do nosso time Visual Merchading, ela deixa nossas lojas lindas, narrando a história de cada coleção através de belas cenografias.

Hoje ela abre o jogo Nas Internas, fala sobre a paixão pela profissão e revela que sua equipe criou um livro para anotar suas “pérolas”.

Que a Fabi continue com esse jeitinho inconfundível, arrancando risadas e trazendo doçura para nossos dias!

Confira a entrevista:

Como você veio parar no Visual Merchandising da Filó? Conta um pouco da sua trajetória.
Entrei na Maria Filó como vendedora, na época cursava a faculdade de Design de Moda e vi na empresa uma oportunidade de crescimento para trabalhar na minha área. Nesse período trabalhando com vendas aprendi muito a como lidar com pessoas, entender e emocionar o cliente. Os dias de vitrine e arrumação de loja eram os meus preferidos, aos poucos fui entendendo o “poder” que o Visual Merchanding tem em transformar a loja. Quando surgia uma vaga, sempre me candidatava. Foram 5 tentativas até finalmente ser aprovada! A cada entrevista, sentia que eu pertencia mais ainda àquela vaga e vice e versa. Me descobri.

O que você mais gosta na sua profissão?
De emocionar. São meses e meses de pesquisas, estudos, criação, testes e planejamento para que tudo chegue à loja impecável. A gente se envolve em todo o processo e muitas coisas são feitas artesanalmente, então eu fico apegada, né? Não tem como. Nada se compara a alegria de ver uma ideia ganhando vida e sendo lançada a cada nova coleção. Meu coração se enche de orgulho quando vejo uma pessoa parada em frente à vitrine admirando nossa cenografia, ou entrando no clima da coleção com cada detalhe que compõe o interior da loja.

Fabi Oliveira

Descreva a Maria Filó em 3 palavras.
Sensibilidade, feminilidade e leveza.

Como é o dia a dia do seu trabalho?
Não existe muito uma rotina. Cada dia é uma novidade e isso torna o trabalho bem dinâmico e divertido. Como somos uma marca que preza muito pelos detalhes, a maior parte do tempo eu passo visitando as lojas, acompanhando as montagens e desenvolvendo as equipes de vendas. Quando estou no escritório, o trabalho se baseia na pesquisa, criação e acompanhamento da produção dos elementos que estamos desenvolvendo.

Quer dizer que você é viciada em casamentos? Por que é um tema que te encanta?
Eu sou “a louca” dos casamentos! O simbolismo desse universo é o que mais me encanta. Vejo o casamento como um evento que celebra a vida, a importância da família e o amor entre duas pessoas.

Fabi Oliveira

Como começou esse “vício”? Como você o mantém vivo?
Eu sou uma romântica assumida, sempre tive o sonho de casar. Para você ter uma ideia, minha avó já faz meu enxoval há muitos anos. Tenho mais de 20 pastas no Pinterest sobre casamentos. Era para ser segredo, mas agora já era (risos). Tenho referência de tudo o que você possa imaginar: decoração, vestido, penteado, buquê, bolo, lembrancinhas, daminhas, buffet e por aí vai. Acompanho blogs sobre o tema e procuro estar sempre informada sobre as novidades desse mercado, que muda o tempo todo. Há pouco mais de um ano, eu e mais 2 amigas criamos uma empresa que realiza chás de panela, de lingerie e “miniweeding” personalizados. Toda a identidade visual é exclusiva e a nossa proposta é contar a história do casal em cada detalhe da decoração. Atualmente mantenho esse meu “vício” vivo me dedicando a organização desses eventos.

Como você e seu namorado se conheceram? Já namoraram à distância, né?
Nós nos conhecemos através de um casal de amigos. Não chegamos a namorar à distância, mas ela vez ou outra se faz presente no nosso relacionamento. A profissão dele exige muitas viagens, então algumas vezes somos obrigados a ficar um tempo longe. Mas são só por alguns meses e sempre damos um jeitinho de burlar distância quando a saudade aperta.

Fabi Oliveira

Você é conhecida nos bastidores da Filó por ser superengraçada. O que acha mais engraçado em você?
Sou? (risos). Eu acho que sou muito espontânea, não tenho muito filtro para certas perguntas e respostas. Acho que essa naturalidade acaba sendo cômica algumas vezes. A equipe do VM até criou um caderno para anotar as pérolas que falo.

Conta uma história engraçada que já aconteceu com você.
Vou contar uma que é clássica. Quando eu era mais nova, eu sonhava em ter uma franja igual a da Sandy. Naquela época que ela cantava DigDigJoy, sabe? Daí inventei de cortar sozinha, pós-banho com meu cabelo molhado. Quem nunca? Descobri que jamais, em hipótese alguma, devo cortar a própria franja, porque as chances de dar errado são muito altas. Meti a tesoura sem medo, quando meu cabelo secou, minha franja estava no meio da testa. Num impulso desesperado, passei a navalha e raspei toda a minha franja! Até hoje eu não sei por que  fiz isso. Passei meses usando faixa de cabelo no meio da testa. Foram tempos bem difíceis!

Além de engraçada, quais outros adjetivos descrevem você muito bem?
Já falei romântica? Sou muito sonhadora, carinhosa e paciente, é difícil algo me tirar do sério. Sou de Peixes, represento bem meu signo. Good vibes total.

Como você mantém o astral lá no alto? O que faz seus dias ficarem mais leves?
Sou uma pessoa de muita fé, isso ajuda eu me manter sempre em paz. Além disso, procuro sempre ver o lado bom das coisas e encarar com leveza qualquer problema. Quando me vejo em uma situação difícil, sempre penso naquele ditado “depois que passa, a gente ri”.  Então sei que uma hora ou outra aquilo vai se resolver e vou até achar alguma graça.

Poderosa ou empoderada? Empoderada.
O mundo é seu ou você é do mundo? O mundo é meu.
Mídi ou longo? Curto.
Preto ou branco?  Colorido.
Salto ou solto? Solto.
Real ou surreal? Surreal.
Eu mudo a moda ou a moda me eu muda? Eu mudo a moda.
Sem dor ou sem pudor? Sem dor.
Cara lavada ou maquiada? Cara lavada.
Poá ou listras? Poá com listras.
Mente ou corpo quente? Corpo quente.
Mar ou montanha? Mar.

O sorrisso é o melhor remédio

Nenhuma roupa vai para as araras sem passar pelo olhar esperto da Cátia. Responsável pelo desenvolvimento das nossas peças, ela está sempre buscando a melhor forma de dar asas às criações. É com muito cuidado que pensa nos mínimos detalhes e cria estratégias que facilitam o meio de campo para acertar em cheio no acabamento dos looks.

Ela não faz nascer apenas belas roupas, mas também novos talentos e sorrisos. Comanda uma grande equipe de costureiras, com orgulho de ensinar tudo que sabe para elas, e está sempre buscando arrancar gargalhadas de todos ao seu redor. Não à toa Cátia é bicampeã do nosso concurso de fantasias de Carnaval. No último, vestiu-se de uma mulher das cavernas para lá de original.

Com a Cátia, é uma risada atrás da outra, gol seguido de gol, com uma vida repleta de belas conquistas: “Tudo para mim foi um desafio, mas sempre com vitórias”, emociona-se ela, que por 20 anos foi atriz, motivo de orgulho por ter encantado espectadores em hospitais e empresas.

Que continue assim, afinal nada melhor que ver esse sorrisão na boca da nossa querida Catita!

Confira a entrevista:

Conta um pouco sobre sua trajetória profissional.
Eu comecei a trabalhar no ramo de confecção de roupas quando tinha 16 anos. Não sabia pregar nem um botão. Aprendi tudo na empresa onde comecei minha carreira. Na primeira vez que costurei, abri um rombo num macacão (risos). Foi ali que eu vi que podia ser gente, trabalhar, ganhar meu sustento. Fiquei lá 8 anos, saí sabendo costurar uma peça inteira. Depois trabalhei também por 8 anos como acompanhante de idoso. Foi uma trajetória difícil, eu cuidava de uma pessoa com uma doença rara e à noite estudava inglês. O mundo foi se abrindo. Depois consegui uma bolsa num curso de matemática financeira e fiquei 6 meses sem trabalhar. Após esse período, voltei para o mercado de moda e fui para uma marca carioca. Até hoje fico emocionada ao me lembrar de quando me chamaram para voltar a trabalhar.

Qual foi seu maior aprendizado na profissão?
Como é importante trabalhar em grupo, como fazer o trabalho do outro crescer através do seu. É minha filosofia. Sempre penso em passar o que sei para as pessoas. Eu aprendo com você e você aprende comigo.

Como você entrou para a Maria Filó?
Foi há 3 anos. Quando eu vim para cá, trabalhava numa confecção pequena. Teve um dia que eu estava triste e o ônibus que eu sempre pegava mudou de percurso, entrando aqui na rua e parando em frente à Maria Filó. Já tinha feito entrevista para cá. Tive certeza que eu ainda ia vir trabalhar aqui. Parece que foi uma profecia. Logo depois me chamaram para fazer uma nova entrevista. Entrei como assistente de desenvolvimento de produção e em pouco tempo me ofereceram essa oportunidade de virar encarregada da área. Foi um crescimento profissional gigante. Eu vi que era isso que eu gostava de fazer.

O que você aprendeu de novo na Maria Filó?
Aprendi sobre modelagem, como a peça realmente nasce. Eu tinha funções mais burocráticas em outras empresas, aqui tenho contato com o Estilo, com a criação das peças. O meu trabalho era mais execução, agora me envolvo em todo o processo.

Quais são suas principais funções aqui?
Minha função aqui é coordenar para que o desenvolvimento aconteça. Preciso informar para o Estilo se uma peça piloto está com dificuldades para ser construída, porque isso será um problema que vai impactar a produção. A gente alerta sobre tempo de execução, sugere novas possibilidades, faz pesquisas sobre acabamentos.

Quando e como você se tornou atriz?
É meu segundo mundo. Você se encontra e transforma a vida das pessoas. Comecei a fazer teatro em 1996. Montamos uma companhia de teatro empresarial, as empresas pediam uma peça e nós fazíamos. Cada experiência era um marco, falávamos das dificuldades delas e mostrávamos como elas podiam ser melhoradas. Era sempre uma surpresa. O teatro mudou a minha vida e vi que com ele eu podia mudar a vida das pessoas. Atuei durante 20 anos. Também íamos aos hospitais e encantávamos os doentes. Eu ganhava o dia.

Quais são suas maiores paixões?
Meus sobrinhos, o teatro e meu amor, o Leandro. Ele era meu amigo e a gente se apaixonou. Uma história muito bonita.

Me conta quais são suas principais características.
Amorosa, divertida, amiga, cuidadosa.

Quais atrizes são mais inspiradoras para você?
Teuda Bara e Inês Peixoto, do Grupo Galpão.

O que mais te inspira?
A vontade pela vida e a troca com as pessoas. Aprender e fazer com que aprendam comigo. Ver uma pessoa mudar. Isso me faz melhor. Fazer os outros rirem, deixá-los felizes. Eu me atento muito às pessoas, se alguém não estiver bem, não me sinto bem também. Então quero fazê-la rir. Gosto que as pessoas vejam coisas boas em mim.

O que você não deixa de fazer nenhum dia da sua vida?
Tomar meu café com leite, levantar todos os dias e agradecer.

Se fosse um animal, qual você seria? Por quê?
Um cachorro, tão carinhoso e carente.

Conta uma curiosidade sobre você.
Adoro cozinhar. Teve uma época que eu fazia almoço para um monte de gente almoçar junto aqui no trabalho, como uma família. Era um prazer ver as pessoas felizes.

Poderosa ou empoderada? Empoderada
O mundo é seu ou você é do mundo?  O mundo é meu
Mídi ou longo? Longo
Preto ou branco? Branco
Salto ou solto?  Com certeza salto
Real ou surreal? Real
Eu mudo a moda ou a moda me eu muda?  Eu mudo a moda
Sem dor ou sem pudor?  Sem dor
Cara lavada ou maquiada? Maquiada
Poá ou listras? Poá
Mente ou corpo quente? Mente
Mar ou montanha? Montanha

Fisgada pela moda

Adriana Rabello

Como John Lennon sabiamente cantou em “Beautiful boy”, a vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos. Prova disso é Adriana Rabello, que caiu na rede da moda quando planejava juntar dinheiro para viajar além oceano e visitar uma antiga paixão.

Na época, estudava Direito. Foi da linguagem jurídica à visual e, no lugar de interpretar leis e compor palavras, começou a montar produções afinadas como vendedora, em 2005. Três anos depois veio para o escritório da Maria Filó e, há um ano, tornou-se nossa produtora de moda, dedicando-se a ler estilos e tendências.

Hoje, é como uma pintora, que pensa na harmonia das roupas, misturando traços e cores de maneira criativa, original e com personalidade.

Nada como as reviravoltas que a vida dá!

Adriana Rabello

Você cursou Direito, como foi parar na moda?
Fui parar por acaso. Percebi que não seria feliz no Direito e que não era o queria fazer na minha vida. Nessa época eu que ajudava as amigas e as amigas das amigas a comprar roupa, a escolher o que usar. Um dia decidi largar tudo e correr atrás desse universo. 

O que traz dessa época para a atual carreira?
Ter paciência e prever mudanças de comportamento, principalmente.

E na Maria Filó, como veio parar?
Tudo começou com uma paixão de Carnaval que morava fora do Brasil. Eu já sabia com toda a certeza de que não seria feliz na carreira jurídica. Um belo dia no meu caminho vi um tapume da Maria Filó no Centro anunciando a abertura de vagas. Pensei: “gosto de moda, sou comunicativa e preciso de dinheiro para viajar e realizar minha paixão”. Mandei meu currículo. A paixão esfriou e eu não fui, mas acabei encontrando o meu destino e felicidade profissionais.

Então você começou como vendedora? Passou por outros cargos depois?
Fui vendedora e trabalhei no Comercial antes de me tornar produtora de moda.

Conta um pouco sobre sua relação com a moda. Como você a vê? Qual é o papel dela na sua vida?
Eu vejo a moda como a personificação do tempo atual. Ela mostra o retrato do que se passa no momento em que vivemos de forma subjetiva e objetiva. Ela está na minha vida a todo o instante e traduz mesmo que inconscientemente o que estou sentindo. 

Sua paixão pelo universo visual se estende a outros campos imagéticos/estéticos? Design, artes plásticas?
Sim. Adoro arte, principalmente pintura e escultura. Arte é transformadora. Muda o dia, inspira E traz um sorriso espontâneo no meu rosto.

Adriana Rabello

Quais são suas principais referências e inspirações?
Na moda são infinitas e incontáveis. Quase uma salada. Mas a minha inspiração de vida é a minha mãe e por todos os valores fortes e ilibados que ela me transmite até hoje.

Como você define seu estilo?
Arrojado e confortável.

O que é mais importante na hora do compor um look?
Saber escolher peças que favoreçam seu biotipo. Conhecer o próprio corpo é fundamental para um resultado final incrível.

Qual dica você dá para quem sonha em trabalhar na área?
Se atualizar sempre.

O que você mais gosta no que faz?
O dinamismo e saber que tudo vai mudar sempre.

E fora da Maria Filó, o que você gosta de fazer?
Muitas coisas, mas no topo da lista está viajar!

Pingue-pongue:

Poderosa ou emponderada? Empoderada
O mundo é seu ou você é do mundo? O mundo é meu
Mídi ou longo? Mídi
Preto ou branco? Preto e branco 
Nova Iorque ou Novo México? Nova Iorque 
Calor do deserto ou frio da neve? Frio da neve
Cacto ou flor? Cacto
Jazz ou blues? Jazz 
Salto ou solto? Solto
Art Déco ou Art Nouveau? Art Déco
Real ou surreal? Surreal
Eu mudo a moda ou a moda me muda? Eu mudo a moda 
Sem dor ou sem pudor? Sem dor
Meu lugar no mundo é… Coladinha nas  pessoas que eu amo
Instagram ou Facebook? Instagram 
Liso ou estampado? Liso
Cara lavada ou maquiada? Pouca maquiagem, mas presente
Listras ou poá? Listras

Colocando as asinhas de fora

Renata Estamparia 2

Ela caminha pelos corredores da Maria Filó sempre com roupas confortáveis, nada que a incomode, aperte. Essa liberdade é um reflexo sutil da forma como a designer Renata Machado enxerga o mundo, de asas e coração abertos. Apaixonada pela natureza e pelos animais – principalmente pássaros –, ela solta a mão em belos desenhos.

Os traços, inspirados pela riqueza da fauna e da flora, se estendem às nossas estampas. Para ela, deixar a criatividade fluir numa folha de papel é um ato terapêutico, assim como viajar. Seu próximo destino, aliás, já está escolhido: Austrália. Mas essa experiência será ainda mais especial. A designer está indo para lá sem passagem de volta.

Enquanto as próxima aventura não chega, ela sai do lugar inventando e desconstruindo formas.  Colocando o próprio olhar, recheado de empatia, em contornos livres, leves e soltos. Fica aqui nossa despedida – ou quem sabe “até breve”-  para a designer. Ganha o céu, Renata!

Renata Estamparia 1

Confira a entrevista:

Como foi parar na estamparia? Sempre quis isso ou aconteceu por acaso?
Acho que nem uma coisa nem outra. Desde antes da faculdade eu curtia muito adorava compor colagens. Na faculdade comecei a fazer colagens usando desenhos meus. Acho que alguma coisa na “composição”, equilíbrio de elementos e cores é o que me atrai. Durante a faculdade de Design Gráfico eu tive uma marca de roupas feitas com reuso de matérias-primas para onde eu direcionada a maior arte do meu tempo. Comecei a sentir falta de artes visuais durante esse período. Deixei a marca quando me formei e comecei a buscar algum rumo que me devolvesse ao mercado de trabalho, mas que atendesse a esses interesses ao mesmo tempo. Foi um período difícil, mas, enfim, me matriculei na pós-graduação em Design de Estampas do Senai Cetiqt.

Há quanto tempo trabalha na Maria Filó?
Há 1 ano e 7 meses.

Conta um pouco sobre sua paixão por pássaros. Como começou?
Acho que as formas da natureza me interessam de forma geral e sou muito ligada aos animais, mas realmente sinto uma conexão mais especial com pássaros. Não canso de me impressionar com a variedade de formas e paletas de cores que eles trazem. Acho que os desenhos que curto fazer estimularam isso. Tive um problema de saúde durante um período da minha vida, quando fiquei sem trabalhar. Nessa época busquei fazer aulas de desenho e praticar um desenho mais técnico, mas não conseguia ficar estimulada com esse estudo. Voltei a olhar para desenhos que fazia, por prazer, durante a faculdade, buscando amadurecê-los. Naturalmente, escolhi a forma do pássaro e comecei a desconstruí-la. Surgiram ilustrações estilizadas, um pouco irreais, muito prazerosas de criar. Isso me ajudou bastante naquele momento.

Renata Estamparia 4

Gosta de desenhar o que além de pássaros? Outros animais?
Sim, gosto de desenhar outros animais, assim como plantas e flores, especialmente quando posso colocar meu próprio olhar e desconstruir suas formas. Quando entrei na Maria Filó tive a oportunidade de exercitar bastante meu desenho, pois criamos cada elemento de uma estampa e cada uma delas traz uma proposta diferente. Os elementos, a escolha do traço, dos materiais e da técnica de desenho precisam variar de acordo com a proposta da estampa e do tema da coleção. A cada coleção, o desafio é trazer variedade, mas também um equilíbrio dentro desta variedade e, para isso, precisamos nos reinventar constantemente.

Me conta um pouco sobre sua personalidade, suas principais características…
Sou uma carioca muito pouco carioca. Não gosto do verão, prefiro o inverno, os dias frios e até uma chuvinha. Sou super noturna, fico super ligada à noite e odeio acordar cedo. Dizem que tenho o humor “um pouco” ácido. Sou meio detalhista e já fui bem perfeccionista, o que, pessoalmente, não considero uma qualidade. Procuro ser mais prática hoje em dia. O bem-estar animal é um tema que me afeta bastante. Tenho mudado a minha alimentação já há alguns anos, mas ainda tenho muitas mudanças em mente.

Renata Estamparia 5

O que você gosta de fazer nas horas vagas? Qual é a sua praia?
Gosto de um boteco e uma boa cerveja com os amigos. Mas gosto igualmente de ficar em casa e dormir até tarde. Curto ir à praia quando não está aquele calor infernal. Praia de fim de tarde é a melhor. Adoro comer fora, mas economizo para poder viajar nas férias. Sempre topo viajar, mesmo que seja só o final de semana.

Tem algum sonho?
Que as pessoas se tornem mais conscientes em relação aos animais. Mais empatia no futuro.

Pingue-pongue:

Renata EstampariaPoderosa ou emponderada? Emponderada
O mundo é seu ou você é do mundo? Os dois
Mídi ou longo? Mídi
Preto ou branco? Preto
Nova Iorque ou Novo México? NY
Calor do deserto ou frio da neve? Frio da neve
Cacto ou flor? Flor
Jazz ou blues? Jazz
Salto ou solto? Solto
Art Déco ou Art Nouveau? Déco
Real ou surreal? Surreal
Eu mudo a moda ou a moda me muda? Mudo a moda
Sem dor ou sem pudor? Sem dor
Instagram ou Facebook? Instagram
The Beatles ou Rolling Stones? Beatles
Liso ou estampado? Estampado
Cara lavada ou maquiada? Lavada
Ella Fitzgerald ou Billie Holiday? Billie Holiday
Listras ou poá? Listras