O blog da Maria Filó

Autoconhecimento profissional: você está na carreira certa?

 

 

Muito se fala hoje sobre autoconhecimento, não é mesmo? Esse é o tema do momento. Não à toa, afinal, estamos finalmente entendendo o quanto olhar para dentro pode ajudar a lidar com todas as áreas das nossas vidas, inclusive a profissional. Mas apesar desse assunto estar em alta, o debate sobre como ele pode contribuir para nossa carreira ainda anda tímido, ganhando terreno aos poucos.

Focamos na parte da autoestima, dos aspectos físicos, da autoaceitação e às vezes esquecemos como nosso trabalho contribui para que nos sintamos realizadas. E isso vai muito além do dinheiro. Claro que ele é importante, mas cada um tem sua prioridade. E é sobre isso que vamos falar hoje. O que faz outra pessoa feliz não necessariamente é o que vai fazer seu coração bater mais forte.

Lá pelos 17 anos, quando estamos escolhendo qual profissão seguir, investigamos a fundo a nós mesmas e as nossas potencialidades. Mas depois disso, muita gente liga o piloto automático e segue o fluxo sem se questionar. Muitas vezes, ouvimos queixas de que as pessoas estão frustradas com suas carreiras, mas poucas são aquelas que tentam entender o motivo desse sentimento.

Não existe fórmula pronta, claro, porém podemos olhar com carinho para alguns aspectos que permeiam o autoconhecimento profissional. Assim, fica mais fácil saber quais passos dar para se sentir mais feliz no trabalho.

 

Quais são seus valores? O que te dá prazer?

Antes de mais nada, você precisa saber quais são seus valores. Os seus, não os da sociedade. O que realmente importa, traz propósito para sua vida, como você quer impactar os outros. O que te dá prazer e faz sentido para você.

Pode ser estar rodeada de pessoas, ajudar os outros, ficar mais tempo com sua família, ter mais dinheiro, conhecer o mundo, ter paz, não se aborrecer, ter uma vida agitada, estar rodeada de beleza, criar… Anote tudo num papel.

 

 

 

Depois, escreva quais são seus dons. O que você faz bem. Aquela característica que faz você se sentir bem consigo mesma. Sabe aquilo que faz você dizer para si mesma: “Uau! Que orgulho de mim”? Não deixe de escrever nada, nem o que aparentemente possa parecer bobo ou inútil. Pode ser cozinhar, arrumar a casa, falar bem, cuidar de planta, lidar com crianças. Vá escrevendo sempre que for lembrando. Mesmo que não te dê algum insight, será bacana para você lembrar do seu valor em diferentes aspectos da vida.

Da teoria à prática

Após essa investigação sobre você mesma, tente associar essas características. Por exemplo: entre os meus valores, anotei que preciso viver renovando meus estímulos visuais. Harmonias estéticas e encontrar a beleza das minúcias traz sentido para minha vida. Também anotei que boas histórias me movem.

Na parte dos prazeres, escrevi que adoro fotografar, ler, ver filmes, criar looks. No que eu faço bem, entre outras coisas, anotei que me comunico com facilidade, sou criativa e ótima com palavras.

 

 

 

Como eu posso relacionar esses dados? Aqui estou eu, criando conteúdos de moda e comportamento, contando histórias de coleções e fazendo entrevistas. Poderia fazer outras coisas? Claro, somos muitas em uma. Mas sinto que esse, sem dúvidas, é um caminho que une várias coisas que são importantes para mim.

Tendemos a desvalorizar algumas características e achar que elas em nada podem nos ajudar na vida. Sempre te elogiam por algo que parece bobo à primeira vista? Olhe para isso com mais atenção. Temos que nos agarrar aos nossos talentos e entender como eles podem ser frutíferos. Se você é boa com arrumações, por exemplo, pode ter uma segunda carreira de personal organizer. Quem sabe ela não deslancha e se torna a sua principal fonte de renda. O importante é não ter medo e testar.

Ficamos muito presas às clássicas funções da sociedade e esquecemos que cada dia mais o mercado de trabalho ganha novas atividades, nunca pensadas antes. Segundo pesquisas, 85% das profissões que existirão em 2030 ainda não foram criadas. Imagine ser pioneira e criar uma nova forma de ganhar a vida, abrindo horizontes para outras pessoas?

Você está cansada?

Antes de pensar nas possibilidades de caminhar para novos universos profissionais, investigue se você está feliz hoje na sua carreira. Por isso, pare para pensar em como seu atual trabalho afeta seu entusiasmo e a sua vida.

É natural chegar após um dia de trabalho e se queixar do cansaço. Mas você precisa entender que existem 2 tipos de exaustão: aquela curada por um bom banho, momento de autocuidado e uma noite de sono com muitas horas. A outra é aquela sensação constante de que falta energia para seguir.

 

 

 

Pergunte-se: meu cansaço vai além do normal? Se a resposta for positiva, tente olhar mais a fundo São suas atividades diárias? É o ambiente de trabalho tóxico? Excesso de computador? Faça o que estiver ao seu alcance para resolver. Muitas vezes ficamos presos ao script de trabalho e-mail-reunião e deixamos de trazer novas formas – e produtivas – para o nosso dia a dia.

 

 

 

Expectativas x realidade

Tente alinhar suas expectativas com a realidade. Se você se imaginava em outro lugar nesse momento de vida, isso pode te levar à frustração e ao ressentimento.

Muitas vezes, vemos pessoas se esforçando e correndo atrás, mas que se sentem estagnadas. É normal de sentir emocionalmente esgotada enquanto esperamos algo acontecer na nossa carreira?

Antes de mais nada, é importante saber se essa é sensação tem fundamento ou é uma eterna insatisfação. Como bem canta Mick Jagger, “I can’t get no satisfaction”. O ser humano pode se autossabotar toda hora, então busque observar a si e entender se é seu caso.

 

 

 

Depois, crie um cenário ideal. Onde você quer chegar? De fato, não foram dados passos em direção a esse objetivo? Quais passos você já deu e o que falta para conquistá-lo? Crie estratégias e entenda que cada etapa deve ser respeitada.

Se mesmo assim você sentir que nada acontece, uma ideia é partir para outra. Mas atenção: lembre-se que a vida é o que você faz dela. Não podemos controlar os caminhos que ela toma, porém podemos escolher como encarar cada fato. O que isso quer dizer? Que o verdadeiro sucesso muito tem a ver com a forma como você lida com a realidade. Então, tente encarar cada avanço com otimismo, em vez de só pensar que é pouco. Cada aprendizado tem seu valor.

Por isso, alinhe sempre suas expectativas e tente olhar para você mesma com menos pressão e dureza. Não é para relaxar e jogar os pés para o alto, tudo bem ter suas ambições. Aqui é sobre transformar o limão numa limonada. A experiência e a maturidade podem nos ajudar nesse processo.

Você muda ao longo da vida

Nunca se esqueça que todos nós mudamos ao longo da vida. Não necessariamente você é a mesma pessoa que escolheu uma profissão há anos. A próxima etapa pode requerir uma nova versão de nós mesmas. Por isso, nunca deixe de olhar para dentro e se perguntar se aquela profissão ainda faz sentido na sua vida de hoje. Talvez você esteja engatada na marcha automática e, assim, deixa de dar aquele update necessário dentro de si. Quem sabe é hora de caminhar em uma nova direção?

 

 

 

Mudar de carreira não é fácil, mas os desafios são importantes para crescermos. Planeje seus próximos passos, entenda o que pode fazer para essa transição ser saudável, sem atropelar nenhuma etapa. Pesquise, experimente, permita-se sonhar. Vá aos poucos, mude algum ponto se necessário, ajuste.

Se você se sentir perdida, não hesite em entender os motivos e fazer algo para mudar isso. Há quem deixe de tentar porque pensa que vai jogar todo aprendizado no lixo. Mas essa é uma crença limitante, afinal toda experiência é válida. E não necessariamente você vai mudar uma carreira por completo. Talvez seja um questão de abrir um novo caminho dentro da grande estrada que você já está percorrendo durante a vida, em vez de voltar atrás e começar do zero.

Por exemplo: uma pessoa que larga uma empresa e vira consultora, uma estilista que se transforma em stylist, e por aí vai.

Falando em mudança

Mudar de carreira é válido e importante caso você sinta que seu caminho precisa mudar. Mas antes de mais nada, olhe para dentro e entenda se é a sua carreira que deve mudar e não você. Como falamos acima, existe a possibilidade de estarmos com uma insatisfação maior, que vai além da profissão. Assim, você pode acabar mudando de carreira, mas seguir com a sensação de vazio.

 

 

 

Talvez há algo maior que precise ser curado. Onde está a verdadeira questão? Investigue suas emoções, busque formas de terapia e autoconhecimento. Permita-se entender o que pode estar causando esse sentimento de inadequação. Caso contrário, você pode acabar correndo em círculos e não adiante.

 

 

Não se compare

“Fulana estudou comigo e está bem melhor” ou “Sua prima tem sua idade e já é dona da própria casa”. Olhar para os outros de forma a se autodepreciar não vai te levar a lugar nenhum. Muito pelo contrário, apenas causará frustração desnecessária.

Para começar, cada uma tem sua história. Você não sabe se essa pessoa está feliz, o que ela passa todos os dias, como conseguiu chegar onde está. Depois, o importante é focar na sua própria vida. Celebrar suas conquistas, entender seu tempo, fazer as pazes com seu passado. Ninguém é melhor que ninguém. Acima de tudo, apague do seu livro de crenças que você precisa ganhar muito dinheiro, que deve casar, ter sua própria casa. A vida não é um script pronto. Para algumas pessoas, vai funcionar assim e está tudo bem. Para outras, nada disso vai fazer sentido.

Ótimo se você tiver em quem se inspirar. Alguém que admire e queira te faça aprender. Mas fuja da armadilha de achar que aquela figura é ideal e perfeita, que a vida dela é melhor que a sua.

Você é chefe da sua vida

Uma das maiores questões de quem trabalha é ter um chefe difícil de lidar. Mas às vezes, na verdade, essa dificuldade fala mais sobre as próprias pessoas do que o líder em si. Toda figura hierarquicamente acima de nós pode causar sentimentos ruins, afinal você se vê obrigada a fazer as coisas de um jeito diferente do seu. Então, aqui a questão é sobre não ter o poder nas mãos. De maneira geral, todos queremos ter o controle.

 

 

 

Mas a vida não é sobre controlar tudo. Temos que sair da nossa caixinha e buscar olhar para as coisas sob outro ponto de vista. Ressignificar nossa forma de interpretar os fatos, tirar as cascas e aprender com o outro. Escolher nossas batalhas com sabedoria e ver até onde estamos passando por cima do que acreditamos ou apenas criamos um status quo dentro de nós de que tem que ser assim.

A forma como lidamos com os outros é um reflexo de como trabalhamos com nossas questões internamente. Claro que seu chefe pode, sim, ser uma pessoa muito difícil. Cabe a você entender até onde consegue trabalhar com ele. Senão, pode cair sempre nessa mesma questão, não importa quem seja seu líder. Ninguém nunca vai agradar a todos e está tudo bem. Mas não deixe de colocar na balança também as qualidades dessa pessoa e de se abrir. É mais cômodo permanecermos dentro do nosso casulo, porém nem sempre o seguro vai nos fazer evoluir mais.

Dinheiro é fundamental?

Depende. Todas temos escolhas, então avalie o seu trabalho no contexto da sua vida. Se você disser que prefere sacrificar certos aspectos da vida para ganhar bem, vá fundo. Mas tudo bem também assumir que prefere investir as batidas do seu coração em outras áreas que importam mais para você, como família, tempo livre, viajar. Só não vale dizer que está gastando horas do seu dia em um trabalho que suga sua alma e drena sua energia a ponto de você abrir mão do que realmente ama.

 

 

 

Dinheiro ser uma prioridade é muito válido. Cada um sabe o que faz seu coração vibrar. Apenas saiba que, segundo a enfermeira Bronnie Ware, os maiores arrependidos de pacientes terminais são:

  • Seguir as escolhas dos outros e não as suas
  • Ter trabalhado muito
  • Não ter passado mais tempo com quem se ama

Não existe certo e errado. Suas escolhas financeiras também dizem respeito a dar uma vida melhor para quem importa para você. Porém muitas vezes o que as crianças precisam é atenção e amor. Dar uma vida bacana é uma forma de demonstrar sentimento, claro, mas não é tudo. Entenda a sua realidade, faça as pazes com suas expectativas e busque ser feliz como der.

Trabalhador não precisa rimar com dor

Aquela velha crença “no pain, no gain” não vale para tudo na vida. Quando as coisas parecem fáceis ou gostosas, tendemos a pensar que não estamos trabalhando o suficiente. Sentimos culpa por termos tempo livre, por gostarmos do que fazemos, como se algo tivesse errado. “Você não está sofrendo o bastante para ganhar seu dinheiro” é uma armadilha. Na sociedade capitalista, muitas vezes acreditamos que precisamos sempre de mais: tempo, dinheiro, coisas e até sofrer, sem perceber.

 

 

 

Você pode adorar o que faz, mesmo sabendo que a maioria não gosta. Sorte a sua! Assim como está tudo bem em parar de trabalhar na hora do seu contrato. Ou tirar suas horas extras ou férias sem se culpar. Nada está errado nisso, somos pessoas antes de sermos trabalhadores. Descansar pode te ajudar a refrescar as ideias. Nem sempre trabalhar mais é sinônimo de trabalhar melhor.

 

 

Um passo de cada vez

Foi como falamos lá em cima: cada um tem seu tempo. Além de não se comparar, respeite seus passos e sua trajetória. Há quem fique ansiosa pensando em crescer profissionalmente, mas se esquece que isso requer etapas. Um bebê não vira adolescente num estalar de dedos, não é mesmo? Assim como você não vai se tornar uma profissional completa da noite para o dia.

O aprendizado vem com o tempo. Pular etapas pode acabar atrapalhando você depois. Busque sempre evoluir que o resto vai vir naturalmente. Se não vier, talvez seja um sinal de que é hora de partir para outra. Só você pode saber se seu atual trabalho supre suas necessidades, sejam elas de aprendizado, financeiras ou emocionais. Observe-se, não se cobre tanto e aproveite a caminhada!

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