O blog da Maria Filó

Elemento água: fluir, sentir e mergulhar

Elemento água
Ilustração: Camila Contreras

Amor de peixe

“Quem dera ser um peixe, para em teu límpido aquário mergulhar” – se você nasceu antes de 1991 e não passou os anos seguintes procurando água (ops!) em Marte, muito provavelmente já cantarolou esse hit do Fagner num banho de chuveiro.

“Borbulhas de Amor” foi a trilha sonora de muitos casais brasileiros formados naquele ano e é bem capaz que ainda seja, já que, afinal, tem um tema atemporal: o amor romântico.

 

 

Mas não é qualquer amor romântico: é o amor do homem que queria ser um peixe. Sim, um peixe. Que sonha em passar noites em claro. Que planeja pendurar corais pra enfeitar a cintura do seu amor.

São muitas emoções

 

Esse tipo de devoção, de disposição pra viver intensamente as próprias emoções e as dos outros é uma das características mais fortes dos signos regidos pelo elemento água – sim, esse artigo é um pouco místico, e também químico, mas sem deixar de ser prático.

Reza a lenda que, junto com esse talento para a emoção, os nascidos sob os signos de Câncer, Escorpião e Peixes, assim como a água, tendem a chegar nas profundezas de qualquer situação.

São aquelas pessoas sensíveis e intuitivas, boas de imaginação, atentas aos próprios medos e que gostam de mergulhar fundo – seja num namoro, na série que estão maratonando ou na treta do condomínio.

Fogo, Terra, Ar e Água

 

Os quatro elementos – Fogo, Terra, Ar e Água – foram eleitos para explicar e organizar a vida na Terra por várias culturas e expressões diferentes. Além do zodíaco, estão presentes em teorias de filósofos gregos, em escrituras sagradas da Índia, na medicina Ayurveda e na tradicional medicina chinesa.

Em comum, servem sempre pra representar nossa necessidade de equilíbrio e complementariedade para manter nossa saúde física, mental e espiritual – seja no manejo daquilo que nos compõe, seja na relação com os outros, seja na nossa relação com o universo.

Todo brasileiro precisa ser um pouco misticão

 

Achou que eu fui muito longe? Calma, vou aterrissar: mesmo que você seja do tipo que nunca postou um “Odoyá” no dia de Yemanjá, nunca tomou um banho de descarrego, nunca pulou sete ondinhas no Ano Novo e nunca nem se benzeu antes de um mergulho (note to self: não é possível que exista essa pessoa no Brasil), ainda assim, é difícil negar o poder revigorante e ritualístico das experiências que nos fazem – mesmo que em pequenas doses – mergulhar.

Pode reparar: pra onde vai o personagem da novela quando ele tá com uma dívida abissal no cheque especial? Olhar o mar. Pra onde vai a mocinha que terminou um namoro? Chorar no chuveiro. E a mocinha que tá se preparando pro date? Pro banho de banheira. E o boy que vai sair com ela? Pro banho de cachoeira. E o cara que ganhou na loteria? Pro mesmo lugar que vai o labrador que escapa da coleira: direto pra piscina.

Fazendo tempesta…ops, terapia em copo d’água

 

Mas nem precisa glamourizar: ainda que seja um dado informal, é seguro dizer que um dos fenômenos mais celebrados sobre a rotina de isolamento foi o poder tranquilizante de lavar a louça.

Pouca gente vai sair do armário sobre isso, mas a antropologia futura há de provar que lavar pratos e copos sujos revelou-se como atividade restauradora – não da pia, mas da alma atormentada pela solidão ou pela convivência forçada com a família.

Muito mais que seu indiscutível valor higiênico e funcional, há algo de relaxante e curandeiro que se manifesta no contato das mãos com a água, no ato de enxaguar os copos e contemplar aquelas pequenas ondas que se formam dentro deles, balançando a espuma.

OBS: falei da louça só pra fazer bom uso do meu lugar de fala (sim, prefiro lavar a louça de um almoço de 18 pessoas do que varrer um lavabo pequeno). Mas acredito que esse efeito semi-meditativo/ semi-sedativo provocado pelo corpo a corpo com a água seja o segredo por trás do eterno sucesso do banho de mangueira ou do vício que muita tem orgulho em nutrir até hoje: passar 3 horas lavando um carro na calçada no final de semana.

Be water, my friend

 

A verdade é que a gente fica meio vidrado com aquário, meio mole com escalda-pés, se sente meio sereia furando onda, e meio criança em parque aquático. Quem nunca se percebeu magnetizado vendo a chuva bater na janela ou sentiu que acidentalmente alinhou os chakras sentado no banco do carro num lava-jato? Contemplar ou sentir a água nos acalma e hipnotiza.

E, enquanto não desenvolvermos a habilidade de flutuar, a água segue sendo o único ambiente que nos permite a sensação de subverter a gravidade. Assim como o planeta, nosso corpo também é composto de 70% água. É como se, em alguma realidade paralela, fôssemos mesmo seres aquáticos. E passamos a vida inventando pretextos para voltar ao lugar de origem (o útero materno, afinal, é nossa primeira piscininha, amor!).

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