O blog da Maria Filó

Roubando a cena

Foto: Cecília Ganzarolli/Imagem dos Povos

Somos cada vez mais protagonistas das nossas próprias histórias. Criamos, reinventamos, fazemos acontecer. Dirigimos nossas vidas para onde queremos, deixamos nossa marca no mundo. E se dizem que a arte imita a vida, nada mais justo que estarmos presentes não apenas na frente das câmeras, mas também por trás delas, criando filmes dignos de aplausos e prêmios.

E a passos lentos, mas corajosos, estamos percorrendo esse caminho rumo ao reconhecimento. Foi pensando nisso que a jornalista Luísa Pécora criou o site Mulher no Cinema, que celebra o trabalho das mulheres nas telas. Ele é uma grande enciclopédia do assunto, trazendo à tona lançamentos, críticas, listas, entrevistas, vídeos e tudo mais que permeia esse universo.

Hoje a Luísa conta aqui sobre o projeto, dá dicas espertas e revela quais são as obras que mais a emocionam. Confira nosso papo:

Conta um pouco sobre sua trajetória.
Nasci em Campinas (SP), mas moro em São Paulo desde 2005. Sou jornalista e comecei minha carreira na área internacional. Depois passei para a área cultural, mais especificamente cinema. Trabalhei em um site e numa revista. Em 2015, fui editora do catálogo da Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo. Hoje também atuo como curadora e jurada de mostras e festivais e ministro cursos e palestras sobre a mulher no audiovisual. Também sou integrante do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

Quando e como surgiu a ideia de criar o Mulher no Cinema?
Comecei a me interessar por este tema em 2009, quando assisti ao filme Guerra ao Terror, dirigido por Kathryn Bigelow. Fui pesquisar sobre ele e a diretora. Na época, a imprensa internacional falou muito sobre mulheres no cinema por causa do quase ineditismo de uma mulher ser indicada ao Oscar de direção (na história, isso só aconteceu cinco vezes). Eu li bastante sobre o assunto e aprendi sobre o quão desigual era a presença feminina no cinema, especialmente por trás das câmeras. Desde então, comecei a pesquisar sobre o assunto e a ver mais mulheres. Em 2013, quando trabalhava como repórter de cultura, fiz uma série de reportagens sobre a mulher no cinema e a resposta do público foi muito boa. Isso me fez pensar que, apesar do assunto ser pouco debatido no Brasil naquele momento, havia mais gente interessada. Sentia que faltava um veículo destinado exclusivamente ao tema e que fosse escrito em português, até para democratizar essa discussão. Então, em junho de 2015, criei o site. Foi um pouco como criar o site que eu mesma queria ler, com uma suspeita de que mais gente se interessaria por ele.

Como é a sua relação com o cinema? O que ele representa na sua vida?
É uma relação muito antiga, que começou na infância, por influência do meu pai e dos meus irmãos. E é também uma relação difícil de definir, porque já é meio parte fundamental de tudo, digamos. Acho que o cinema ajudou a formar muito a minha visão de mundo e a minha própria personalidade. E acabou tornando-se também a minha carreira.

Você é cinéfila desde quando?
Vejo muitos filmes desde criança por causa dessa coisa de família, alugar filme na locadora etc. É difícil dizer o momento exato em que você se torna cinéfila, acho que vai acontecendo. Mas um momento bem marcante para mim foi quando assisti ao filme Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Eu devia ter uns 15 ou 16 anos e fiquei muito impactada. Foi a primeira vez que eu me lembro de ter passado por uma experiência cinematográfica, e não apenas ter assistido a um filme.

 

Top 5 filmes que você indicaria para outras mulheres.
Bom Trabalho, de Claire Denis;

Cléo das 5 às 7, de Agnès Varda;

Histórias que Contamos, de Sarah Polley;

Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow;

Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles, de Chantal Akerman.

Top 5 filmes da sua vida.
Essa pergunta é muito difícil, porque os filmes da vida mudam toda hora. Mas alguns dos favoritos:

Cidade dos Sonhos, de David Lynch

A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino

Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow

Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood

Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles, de Chantal Akerman

Filmes no seu radar, que você está doida para assistir.
Atlantique, de Mati Diop

Portrait de un Jeune Fille en Feu, de Cèline Sciamma;

Vision, da Naomi Kawase, uma diretora japonesa da qual gosto bastante;

A versão da Greta Gerwig para Little Women;

High Life, da Claire Denis, que eu adoro também.

Último filme que te marcou.
Varda por Agnès, o filme-despedida da Agnès Varda.

Uma atriz que te emociona.
Julie Christie.

Uma diretora que você adora.
Agnès Varda.

Uma cena que você nunca vai se cansar de rever.
Meryl Streep cantando The Winner Takes it All em Mamma Mia. Ainda me diverte muito.

 

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