O blog da Maria Filó

Por uma moda mais consciente

É tempo de repensar a forma de fazer roupa e apostar em escolhas conscientes. Refletir sobre o futuro para que as próximas gerações vivam em um lugar mais justo e equilibrado, entender o que cada um pode fazer para contribuir para um futuro melhor. De olho nesse novo momento, vamos participar das discussões do Rio Ethical Fashion, que pela 1ª vez chega ao Rio, na semana do Meio Ambiente, nos dias 6 e 8 de junho.

Hoje conversamos com Lilly Clark, consultora de marketing sustentável do evento, que conta aqui como o encontro visa a colaborar para uma moda mais ética e sustentável.

Fique por dentro do nosso papo:

Para começar, conta um pouco sobre sua trajetória.
Quando era pequena, na minha casa tinha uma costureira que vinha fazer e consertar roupas toda semana, eu ficava praticamente em cima da máquina! Na adolescência, minha tia tinha uma confecção. Eu ganhava dela umas roupas em 1ª mão e me sentia o máximo com peças que ninguém tinha. Desde então, a moda nunca saiu do meu universo. Fiz faculdade de desenho industrial e passei por todos os setores na moda. Fui estilista, stylist, produtora de desfile, tive confecção própria e depois fiz um MBA em marketing. Trabalhei em uma marca de moda praia e, depois, em uma organização de eventos de moda por 13 anos, até entender que as mudanças da indústria estavam acabando com a moda que eu gostava.

A sustentabilidade sempre foi um tema importante para você? Como a pauta entrou na sua vida?
A autenticidade e a qualidade sempre foram valores muito importantes para mim. Já fui muito consumista, mas a moda mal feita nunca me pegou, mesmo sem consciência do impacto dela no meio ambiente. Roupa para mim era para durar e atemporal. Não me vendo mais representada neste mercado, fui conversar com o André Carvalhal que na época lançava seu primeiro livro. Foi quando ele me chamou para entrar na Malha, projeto de moda colaborativa, independente e sustentável. Virei CEO logo depois.

Como e quando surgiu a ideia de trazer o Rio Ethical Fashion para o Rio?
O Rio Ethical Fashion foi criado por uma grande amiga, Yamê Reis, em 2017. Fui consultora desde o começo, mas estava muito envolvida na Malha e não podia me dedicar mais ao projeto. Quando o galpão fechou, em maio do ano passado, abracei a iniciativa, como co-fundadora e consultora de marketing sustentável. O Rio não só é nossa casa, mas palco de grandes eventos internacionais sobre o meio ambiente, como o Rio 92 e o Rio +20. A cidade é uma porta de entrada para o Brasil e uma janela do Brasil para o mundo.

Qual é o objetivo do evento? Como vocês esperam contribuir para uma moda mais sustentável?
Trazer a discussão da sustentabilidade internacional para o mercado brasileiro. O Brasil é o 4° maior parque produtivo de confecções do mundo! Compartilhando ações nacionais e internacionais, acreditamos engajar e estimular toda cadeia a se movimentar para um caminho de menos impacto na moda.

– No dia 6, teremos uma ação que traz a discussão para a academia, discutindo e expondo cases das instituições de educação para a geração de um novo ensino de moda.

– No dia 8, o encontro será para os empreendedores de moda que juntos, através de uma dinâmica, chegarão a um guia de passos primordiais para uma moda com menos impacto.

Se conseguirmos desmistificar um pouco a moda sustentável, contribuirmos para a educação da população sobre o real valor de uma roupa e estimularmos a conscientização sobre um trabalho ético e justo dentro da cadeia, já será um grande avanço.

 Quando o assunto é sustentabilidade, como você encara o mercado de moda carioca atualmente?
Em um gargalo. Um mercado de marcas pequenas e médias que quem quer fazer não consegue e quem pode não quer. Apesar de estar dentro do que chamamos bolha da sustentabilidade, eu acho bem possível uma mudança. Vejo marcas cariocas bem interessadas e curiosas. O fato de não termos grandes indústrias pode nos ajudar a nos adequarmos a uma moda mais sustentável. É uma mudança para ser feita aos poucos, um desafio em toda cadeia, desde o mindset que temos ao comprar uma roupa até os custos que implicam uma produção justa. Precisamos de uma nova maneira de ver e produzir moda.

Para você, quais são os maiores desafios da sustentabilidade na moda brasileira?
A desigualdade social e de gênero. A cadeia da moda é o segundo maior setor empregatício e o primeiro em mão de obra feminina. Mesmo assim, as mulheres não chegam na mesma proporção dos homens em cargo de liderança e nem possuem salários equiparados a eles. Sem falar nos abusos da cadeia com os trabalhadores expostos a péssimas condições de trabalho. A desigualdade do Brasil não é um problema da moda, mas sim político. São muitas questões para evoluir juntas.

O que uma marca de moda pode fazer para um mundo mais sustentável?
Ter consciência e buscar minimizar cada vez mais seu impacto negativo, com o comprometimento de buscar melhores práticas, matérias-primas e processos. Respeitar seus colaboradores, fornecedores e clientes. E, mais do que tudo, ser responsável por seu produto para que seja durável e não um bem descartável!

Confira aqui as ações da Maria Filó ajudam minimizar o impacto negativo da moda no meio ambiente.

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