O blog da Maria Filó

Efeito Lilith

O novo livro da astróloga Maína Mello

Os textos da astróloga Maína Mello fazem parte da rotina de cada vez mais gente. Seja mensalmente através do seu site Mapeando, nas revistas e jornais com as quais a craque nos astros colabora, ou mesmo entre os trânsitos que ela anuncia na sua conta do Instagram.

Uma excelente comunicadora (além de astróloga, Maína é formada em jornalismo), os mapas, textos e encontros femininos que ela promove ajudam a despertar e amadurecer nosso autoconhecimento. E nos deixam sempre um pouquinho mais perto do céu.

Dessa vez é mesmo na forma de escritora que Maína nos conduz a essa busca a nós mesmas a partir dos astros, através do seu segundo livro, Efeito Lilith (Editora Torsdesilhas). E aqui ela conta mais sobre o novo projeto e sobre mistérios entre o céu, a terra e nós.

Segundo a mitologia, quem foi Lilith?
Lilith é um mito dos sumérios, que foi um dos primeiros povos que habitou a Mesopotâmia, berço da civilização ocidental, território hoje chamado de Oriente Médio. Foi onde se desenvolveu a agricultura, a escrita, a astrologia e foram construídas as primeiras cidades. Lilith surgiu por volta de 7mil a.C. como um demônio feminino, depois se tornou a primeira mulher de Adão, feita também do barro e do sopro divino, antes de Eva. Como um demônio, ela tentava os homens durante o sono e perseguia os bebês recém-nascidos. Como a primeira mulher, se rebelou contra o companheiro que não a reconhecia como igual e a submetia sempre por baixo durante o sexo. Por isso ela foi embora do Paraíso, indo viver em uma caverna no Mar Vermelho. Posteriormente, ela foi excluída da narrativa da Gênese bíblica. Hoje compreendemos que a mitologia de Lilith envolve a repressão ao feminino e à sexualidade natural na construção do patriarcado. Ali surgiu a imagem do feminino como demoníaco e perigoso. Mas Lilith é um princípio de evolução, um instinto, um poder, pois recusa a se submeter.

Quando você começou a pensar nessa história? Ela foi mudando ao longo do tempo?
Foi em 2005 que vieram as primeiras linhas, que até hoje estão no livro. Mas a história mudou muito de lá para cá. Escrevi aos poucos, conforme fui aprofundando meu entendimento sobre Lilith a partir de estudos e pesquisa com as pessoas que fizeram mapa comigo nos últimos anos. Lilith é complexa! Ela custou a se revelar para mim de verdade, se esquiva ao nosso conhecimento como o mistério que ela representa.

Qual foi sua principal inspiração?
O conflito conjugal entre Lilith e Adão no paraíso, quando ela percebe que aquela relação é desigual, que ela está sendo submetida a ele. Esse foi meu ponto de partida para a criação de um casal contemporâneo cujo relacionamento é marcado por uma disputa que envolve traição, obsessão, ciúme, abandono. A história é contada pela protagonista Ana, que descreve o que está acontecendo dentro dela. Nisso eu me inspirei na Clarice Lispector: ainda que não faça exatamente um fluxo de consciência, minha personagem se revela.

O que a protagonista Ana tem em comum com todas nós?
Ela é uma mulher inconsciente até se apaixonar e perder o controle sobre si mesma. Mas isso a leva a descobrir seu poder oculto, entrando em contato com suas próprias sombras: seu desejo de se relacionar profundamente, o medo dessa entrega, suas obsessões, problemas de autoestima, dependências e o erotismo que desponta como uma força transgressora.

Existem outros projetos literários na manga? Como foi a experiência de escrever um romance?
Por enquanto não estou pensando em outro livro, até porque o Efeito Lilith me tomou muito tempo e energia, ainda preciso esvaziar a cabeça para novos conteúdos! Esse é o meu segundo livro, o primeiro, Encontros Astrais, é de astrologia mesmo, sobre o amor e o sexo dos astros. Escrever um romance é muito diferente de não-ficção, porque mexe demais com a imaginação. Tive momentos de bloqueio criativo e angústia, assim como momentos gloriosos em que as ideias vinham prontas, como se o livro estivesse se escrevendo sozinho. É surreal.

Como Lilith influencia em nosso mapa astral?
A Lilith astrológica não é um corpo celeste. Lilith é o segundo centro da órbita da Lua, que é elíptica, e uma elipse tem dois centros em vez de um. Em um desses centros está a Terra, o outro é Lilith, a Lua Negra, que não tem massa, mas tem algum magnetismo. Pois bem, o que ela representa no nosso mapa é a nossa insubmissão, o nosso instinto transgressor. Nesse ponto temos que ser fiéis a nossa verdade, mesmo que isso signifique ir contra as regras ou desagradar alguém. Ela é um ponto de libido, ou seja, naquela questão tem muito desejo envolvido – e medo também. Por isso, integrá-la em nossa psique é complexo. Em geral ela aparece nos relacionamentos como um fator muito forte de atração, mas que se não for bem tratado pode causar conflitos. Os amantes precisam respeitar a Lilith um do outro como uma necessidade de autonomia!

Se você é do time das loucas dos signos, confira aqui a entrevista com a astróloga Isabela Heine.

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