O blog da Maria Filó

Os passos de uma protagonista

Ingrid Silva
Foto: Aaron Pegg (Underground NYC)

“Uma menina especial que jamais imaginaria aonde sua vida iria levá-la”: é assim que a bailarina Ingrid Silva resume sua linda história. Até os 8 anos, ela nunca havia ouvido falar em balé. Eis que sua mãe a levou para um teste do projeto social Dançando Para Não Dançar, que oferece aulas para comunidades carentes do Rio. Desde então, nunca mais parou.

A cada passo, uma nova barreira ultrapassada. Após ter a oportunidade de estudar na escola da Deborah Colker e estagiar no Grupo Corpo, fez uma audição e, entre 200 meninas, foi a escolhida para participar de um curso de férias da Dance Theater of Harlem, em Nova Iorque. No fim do verão, aos 19 anos, recebeu o convite para se tornar bailarina da companhia, que tem como meta promover a inclusão multirracial.

Sentiu-se acolhida como nunca. Deu asas ao corpo e a uma nova versão de si, ainda mais forte, consciente e engajada. Expandiu músculos, ideias e movimentos. Hoje, já há 10 anos morando fora, equilibra-se entre a dança e o EmpowHer New York, plataforma colaborativa criada com uma amiga para dar voz às mulheres.

Que a história dessa menina especial continue a ganhar novos capítulos surpreendentes, com páginas que fluam naturalmente, feito seus passos flutuantes!

Ingrid Silva
Foto: Aaron Pegg (Underground NYC)

Leia a entrevista:

Você tinha algum sonho na infância?
Sim, por incrível que pareça, eu queria ser médica. Acho que jamais conseguiria. Por mais que tivesse vontade, não consigo ver sangue (risos).

O que a dança representa na sua vida?
Algo inexplicável que com certeza eu não viveria sem.

Qual é a sensação de dar asas ao corpo?
Sabe quando você acha algo incrível na sua vida, que te liberta? Assim que me sinto no palco, a cada vez que eu danço.

Ingrid Silva
Foto: Alex Logaisk

Qual foi a sensação de ser escolhida entre 200 meninas para dançar na Dance Theater of Harlem?
Para ser bem sincera, quando eu vim fazer a audição, não tinha a mínima noção do que era Dance Theater of Halem, da importância da companhia. Entendi apenas quando eu vim morar e trabalhar em Nova Iorque. Entrei em uma sala onde todos eram iguais a mim. A diversidade da companhia era e continua sendo algo incrível! Então a sensação que tenho hoje em dia é de orgulho de fazer parte de um grupo que está prestes a completar 50 anos.

Ingrid Silva
Foto: Aaron Pegg (Underground NYC)

Se a Ingrid de hoje pudesse falar algo para a Ingrid de 8 anos, na audição na Vila Olímpia da Mangueira, o que seria?
Seja sempre essa menina determinada, em qualquer profissão que você escolher na sua vida.

Como é o dia a dia de uma bailarina? Há tempo para diversão?
Meu dia a dia é supersimples, acordo às 9 da manhã, caminho ou pego um transporte para o trabalho. Minha aula começa às 10h e dura 1h30. Depois tenho ensaios com sessões de intervalos e lanche. Meus dias duram em torno de 5 a 6 horas. Depois vou para casa, caminho com minha cadela Frida Kahlo. Então cozinho o jantar e relaxo com a minha família.

Ingrid Silva
Foto: Lucinda Grange

Que músicas você tem gostado de ouvir nas horas vagas? E dançar?
Adoro qualquer tipo de música. Gosto muito de jazz e, antes de entrar no palco, ouço Beyoncé. Para descontrair, gosto de R&B.

Quais foram e quais são os maiores desafios da sua carreira?
Acho que ser consistente e conseguir estabilidade na vida de um bailarina é bem complicado, mas tento ser a minha melhor versão todos os dias. Quando cheguei em NY, não falava inglês, então não conseguia me comunicar bem. Hoje em dia, me considero estável e segura na profissão.

Além da dança, o que faz você flutuar?
Meus projetos pessoais que influenciam e inspiram a vida de outras pessoas.

Ingrid Silva
Fotos: Alex Logaisk | Quinn Wharton Photography

Conta um pouco sobre o EmpowHer New York.
Fundei com minha amiga Helya Mohammadian um movimento de mulheres para mulheres. O EmpowHer New York é uma plataforma colaborativa criada para dar voz às mulheres reais e suas questões. No perfil, mostramos a rotina de diferentes personagens inspiradoras num formato “take over”, sempre com o intuito de conectar e ajudar pessoas. Nós já temos mais de 7 mil mulheres na nossa rede e a cada dia crescemos mais. Já fizemos 2 eventos e estamos indo para nosso terceiro.

Quais mulheres você mais admira?
São tantas… Minha mãe é uma delas, minha guerreira e inspiração para a vida. Ana Botafogo, Taís Araújo, Maria Rita, Beyoncé, Alicia Keys, entre muitas outras.

Ingrid Silva
Fotos: Scott Serio | Aaron Pegg (Undergound NYC)

Como é viver em Nova Iorque? O que você mais gosta na cidade?
Eu amo, a diversidade da cidade é algo que jamais vivenciei. Adoro o verão e fazer novos amigos todos os dias.

Qual é seu recado para as jovens que se inspiram em você?
Sempre acreditem nos seus sonhos e nas suas possibilidades. O mundo é infinito!

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