O blog da Maria Filó

Escritoras negras para ler já

Você já parou para se perguntar quais são suas maiores referências literárias? Pois propomos um desafio: pense em escritores que marcaram sua vida. Agora diga: quantos deles são mulheres negras?

Mas isso está prestes a mudar. É muito importante que a gente esteja com os ouvidos abertos para escutar o que elas têm para falar. Dar voz, conhecer suas histórias, consumir suas criações artísticas.

Além de isso incentivá-las financeiramente, amplia a sua perspectiva sobre diferentes visões de mundo, aproxima pessoas e traz representatividade.

É muito importante a gente se cercar de referências de todos os tipos. Desde o Brasil de Djamila Ribeiro, passando pelos EUA de Angela Davis, até a Nigéria de Chimamanda Ngozi Adiche. Afinal, a coragem e a força falam todas as línguas.

Por isso, nossas dicas de hoje mostram as obras de 11 escritoras negras que você precisa ler já!

Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda é atualmente uma das escritoras africanas mais lidas no mundo. Nascida na cidade de Egunu, na Nigéria, estudou Medicina por um ano e meio. Mas era com as palavras que ela tinha maior afinidade. Por isso, mudou-se para os Estados Unidos e se formou em Comunicação e Política.

Seu début na literatura foi no ano de 1997, quando lançou uma coletânea de poemas (Decisions). Indicadas a vários prêmios, Chimamanda tem títulos importantes que falam sobre feminismo, a vida na África, além de romances de sucesso. Americanah é um desses romances, que em 2013, esteve na lista dos melhores livros do ano do The New York Times.

Para ler: Sejamos todos Feministas, Americanah, Hibisco Roxo, Para Educar Crianças Feministas, Meio Sol Amarelo e O Perigo de uma História Única.

Djamila Ribeiro

A paulista Djamila Ribeiro é um dos nomes mais importantes da literatura e militância negra no Brasil. Ela é filósofa e mestra em Filosofia Política pela USP. Encontrou na literatura, uma forma de mostrar seu conhecimento e colocar a pauta do feminismo negro em evidência de forma didática.

Atualmente, é a escritora com a livro mais vendido do Brasil. Seu título Pequeno Manual Antirracista está em primeiro lugar e é acompanhado de perto por mais dois títulos também de Djamila. Além de seus livros, ela também escreve como colunista na revista Elle Brasil.

Para ler: Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, Lugar de Fala, Pequeno Manual Antirracista e O Que é Lugar de Fala.

bell hooks

A feminista negra nasceu em uma cidade rural do sul dos Estados Unidos. Formada em Literatura Inglesa, seus principais escritos falam sobre raça, gênero, educação e, claro, feminismo. Sua carreira na literatura começou quando ela estava ainda na faculdade.

Seu primeiro livro Ain’t A Woman foi publicado em 1981. O reconhecimento de sua obra de estreia veio onze anos depois. O site Publishers Weekly reconheceu a produção como um dos vinte livros mais influentes da época. Desde então, seus títulos estão entre os mias lidos quando o assunto é negritude, gênero e sociedade.

Para ler: O Feminismo é Para Todos, E Eu Não Sou Uma Mulher?, Olhares Negros, Raça e Representação e Teoria Feminista.

Angela Davis

Angela Davis é uma ativista e professora norte-americana. Ficou conhecida a partir de 1070 por ser integrante da organização Panteras Negras. Sua militância feminista e contra as discriminações de raça e gênero marcam sua carreira até hoje.

Em 2019, ela se tornou integrante do Hall da Fama de mulheres estadunidenses. Uma das mais maiores honrarias femininas do país. Hoje, aos 76 anos, Angela se aposentou do magistério mas segue espalhando suas ideias em palestras e congressos. Sua principal obra é Mulheres, Raça e Classe, uma das maiores referências sobre os assuntos.

Para ler: A Liberdade é Uma Luta Constante, Mulheres, Cultura e Política e Mulheres, Raça e Classe.

Maya Angelou

Maya Angelou é o pseudônimo de Marguerite Ann Johnson. A escritora norte-americana foi um dos grandes nomes da literatura afroamericana no seu país e no mundo. Em 1960, depois de ter se aventurado pelos palcos através da dança, iniciou sua trajetória na escrita. Na época, lançou sua primeira autobiografia, Eu Sei Porque o Pássaro Canta na Gaiola, título que até hoje é lembrado.

Falecida em 2014, Maya deixou conosco não só romances, mas também de poesias. Atuou nas mais diversas áreas do conhecimento. Também ficou conhecida por seu ativismo social e luta pelos direitos civis.

Para ler: Carta à Minha Filha, Eu Sei Porque Os Pássaros Cantam na Gaiola, Mamãe & Eu & Mamãe

Buchi Emecheta

Florence Onyebuchi Emecheta, ou Buchi Emecheta, como ficou conhecida, foi mais uma escritora nigeriana que deixou seu nome na história da literatura. Ele se comprometeu a quebrar os esteriótipos da mulher africana e falar sobre as opressões sofridas. Afinal, eram questões que permeavam sua vida.

Os questionamentos permeiam suas palavras, principalmente, quando os assuntos são educação da mulher, maternidade e violência. Seu primeiro livro, No Fundo do Poço, foi publicado em 1972 e marcou sua estreia. No total, Emecheta deixou um legado de mais de 20 títulos. Seu falecimento ocorreu em janeiro de 2017.

Para ler: As Alegrias da Maternidade, No Fundo do Poço, Cidadã de Segunda Classe.

Carolina Maria de Jesus

Quando falamos de escritoras negras brasileiras, o nome de Carolina é sempre citado. Pois ela foi uma das primeiras autoras negras do país. A mineira, filha de pais analfabetos e catadora de papel, desenvolveu o gosto pela leitura e escrita desde a infância.

Aos 33 anos, Carolina mudou-se para São Paulo e foi viver em uma favela da zona norte da capital. Quando não estava desempenhando suas tarefas como catadora, registrava em uma caderno como era o cotidiano do lugar onde morava. Um destes diários tornou-se seu primeiro livro, Quarto de Despejo – Diários de Uma Favelada. A obra foi um sucesso e proporcionou à Carolina uma mudança de vida e viabilizou seus próximos títulos. Ela faleceu em 1977.

Para ler: Quarto de Desepejo, Diário de Bitita, Casa de Alvenaria e Meu Estranho Diário.

Paulina Chiziane

Nascida em Moçambique, Paulina Chiziane iniciou sua carreira na literatura no ano de 1984 com escritos em jornais. Ela é a primeira mulher a publicar um romance no país. Seu début no mundo editorial foi somente no ano de 1990,

Os assuntos das obras de Paulina passam, por exemplo, por pautas sociais e assuntos polêmicos em sua região, como a poligamia. Por isso, suas palavras desafiam e provocam, já que colocam em pauta o cotidiano e luta das mulheres em seu país e continente.

Para ler: Balada de Amor Ao Vento, O Alegre Canto da Perdiz e Ventos dos Apocalipse.

Toni Morrison

Toni Morrison deixou sua marca na literatura mundial. Ela foi a primeira mulher negra a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 1993. A norte-americana fez com que seus romances ganhassem destaques em revistas e clubes do livro desde o início de sua carreira.

A escritora, de origem humilde, chegou à universidade e ao mestrado tratando de temas voltados totalmente para o universo da leitura. Além de mostrar suas palavras ao mundo e ser uma pioneira de seu tempo, contribuiu na difusão dos escritos de escritoras como Angela Davis.

Sua obra é vasta e conta com 11 romances, 5 livros infantis, 8 obras de não-ficção, além de peças de teatros e contos. Toni faleceu aos 88 anos, em agosto de 2019.

Para ler: Amada, O Olho Mais Azul e A Nossa Casa é Onde Está o Coração.

Taiye Selasi

A escritora e fotógrafa Taiye Selasi se define como afropolitana. Isso porque nasceu em Londres, cresceu em Boston e tem origens nigeriana e ganense. Formada em Estudos Americanos, Taiye é uma escritora contemporânea que aborda questões raciais e de forma intensa com prosa envolvente.

Adeus, Gana, foi seu primeiro romance e foi publicado em 2013. Desde então, Selasi já foi indicada para vários prêmios da área. Além de contribuir com antologias e pequenas novelas literárias.

Para ler: Adeus, Gana

Conceição Evaristo

A escritora brasileira pós-moderna é mais referência nacional. Maria da Conceição Evaristo de Brito, ou apenas Conceição Evaristo, nasceu em Belo Horizonte, mas foi no Rio de Janeiro, na década de 1990, que começou sua carreira na escrita.

Ganhadora do Prêmio Jabuti de Literatura Brasileira de 2015, a mineira traz em seus romances e contos, reflexões sobre a discriminação racial, de classe e de gênero. Seu livro, Ponciá Vicêncio, aborda justamente esse temas e já foi até traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos.

Para ler: Olhos D’Água, Becos da Memória, Ponciá Vicêncio, Insubmissas Lágrimas de Mulheres.

Por fim, se deixe levar pelas tramas, fatos e reflexões trazidas pelas autoras indicadas. Sem dúvida, toda hora é uma boa hora para colocar mais uma leitura nova na lista!

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