O blog da Maria Filó

Mães e empreendedoras, sim!

Fechando o mês de maio que é o mês comemorativo do trabalho e das mães, vamos falar sobre as mulheres que transitam na jornada de cuidar dos filhos e administrar seus próprios negócios. Isso tudo, em meio a um cenário complexo de pandemia e muitas incertezas. 

Em uma pesquisa feita pela FGV, antes da pandemia, revela que 48% das mulheres ficam sem emprego até um ano depois do parto. Seja por ser demitida da empresa onde trabalhava ou pela questão financeira de terceirizar o cuidado com a criança. Por isso, muitas tem que empreender como uma forma de fazer sua própria receita e aliar o cuidado com os filhos. 

Quando falamos de mães que empreendem, pensamos em mulheres que depositam toda sua força e dedicação em dobro. Isso porque, para as mães que precisam expandir seus horizontes financeiros. Além disso, elas iniciam seus empreendimentos nas mais diversas áreas como um grande projeto de vida. 

Se antes já era difícil se desdobrar em mil para dar a atenção necessária aos filhos e lidar com as burocracias de se administrar um negócio. Imagine agora no meio de uma pandemia? A situação além de ser nova em todos os sentidos, levou a muitas mulheres a iniciarem sua jornada empreendedora neste momento. Então, os desafios são ainda maiores. 

Mas como será que deve ser a vida de uma mãe empreendedora que está passando ainda mais tempo em casa? Já imaginando que a correria deva ser ainda maior. Mas para compartilhar um pouco sobre como é dar conta de si, dos seus filhos e de seu empreendimento, convidamos a jornalista Mônica Costa e a comunicadora Lígia Baleeiro para falar um pouco sobre suas rotinas. 

O início da trajetória empreendedora

Caminhos diferentes, mas uma mesma verve empreendedora. Mônica deu o pontapé inicial para criar o seu Grana Pretta. Ele é um programa que fomenta a autoestima e fortalece a dignidade da mulher negra em 2018. Desde então, seus cursos e workshops de educação financeira voltado para mulheres negras contribuem para a independência e trajetória de muitas. 

A história empreendedora da Lígia começou quando tinha 19 anos, quando estava na faculdade e criou um brechó online. Mas como toda jornada, experimentações acontecem, adaptações e mudanças. Por isso, hoje, ela aprimorou suas ideias e criou o Casulo, seu negócio na área de desenvolvimento social. 

Desafios da dupla jornada

O tempo é um grande luxo dos nossos tempos. Para as mães que empreendem atualmente, lidar com ela é um verdadeiro desafio. Isso porque, é preciso um malabarismo para absorver as demandas dos filhos. Além de se preparar para as reuniões online e para todas as outras mil tarefas diárias. 

Mas cada mãe que possui seu próprio negócio, tem nortes e experiências repletas de particularidades em relação ao maternar e ao trabalho em si. Então, tanto Mônica quanto Lígia lidam com seu precioso tempo de formas diferentes. 

Um dos meus maiores desafios como mãe empreendedora, e que se intensificou na pandemia, é sobrepor o tempo. Se dizem que um processo de criação requer longos tempos de solidão, esse é um luxo que a maioria das mães não dispõe. Nós aprendemos a fazer as coisas sobrepondo nosso tempo ao da criança. Vivemos em dois tempos. O nosso tempo e o do filho. O grande desafio é continuar produzindo mesmo sendo interrompida a cada 5 minutos”, conta a mãe do Lorenzo e criadora do Casulo. 

Mais uma vez, o tempo é verdadeiro ponto a ser equilibrado. Mônica conta que “conciliar o tempo para atender meus anseios profissionais (o que envolve estudos, pesquisas, realização de projetos) e as necessidades deles.” 

Rotina na pandemia: como lidar?

Se o significado principal da palavra rotina fala sobre um “caminho utilizado rotineiramente”, a pandemia veio para dar uma boa modificada nos trajetos que vinham sendo feitos. A casa virou o lugar central da vida, local de trabalho, diversão, comemoração e de possível distração. Então, com certeza, as rotinas tiveram que ser recriadas e readaptadas. 

A idade dos filhos pode ser um ponto que diferencia muito as rotinas das mulheres que tem seus negócios. Pedro (18 anos) e Ayana (10 anos) são os filhos da Mônica e cada um com suas atividades, entram em uma dança que atravessa o dia a dia da mãe.  

Elas contam:

“O Pedro agora é um universitário (Economia na Unicamp), mas o ano que antecedeu o vestibular exigiu de todos nós muita paciência e persistência para focar no que era importante em meio a pandemia. Ayana é muito curiosa e falante. Então preciso dividir o tempo entre minhas atividades, me dedicar a aprender com ela novas danças e músicas no Tik Tok, além de estar muito junto nos estudos para que não se desligue facilmente das atividades virtuais”, conta a criadora do Grana Pretta. 

Lígia divide seu dia entre as tarefas com o Lorenzo, de 3 anos, e de seu curso desenvolvimento pessoal. Mas nem tudo são flores, lidar com todas emoções e afazeres requer uma dose extra de “inspire, respire e não pire”. 

Outro desafio é gerenciar meus próprios pensamentos pra manter a minha saúde mental. Depois de muita frustração, aceitei que a minha rotina não é a ideal. O rendimento não é o mesmo me reorganizei. Hoje eu fico com Lorenzo de manhã e o pai fica com ele de tarde pra eu poder trabalhar. Em um primeiro momento entrei em um processo de negação, fiquei na bad e não aproveitava minhas horas com o meu filho, hoje em dia me entreguei. Ele ama fantasias então praticamente todos os dias fazemos uma fantasia nova usando papelão e tinta”, explica Lígia. 

De: uma mãe que empreende

Para: uma mãe que quer empreender

Experiências e vivências podem inspirar outras mães para empreenderem, mudar da carreira e mudarem sua própria história. Nossas convidadas deixam um recado especial para as mulheres que precisam de um estímulo a mais. A hora de dar o pontapé inicial em seus negócios pode ser agora!

Mulheres empreendedoras para acompanhar

A internet é um lugar onde você pode buscar informação, encontrar inspiração e consumir conteúdos que podem ser muito úteis. Então, se você é mãe, já empreende, quer empreender ou quer uma dose extra de inspiração sobre carreira. Por isso, vale seguir outras mulheres que vivem também essa realidade. Elas compartilham através das mídias um pouco mais sobre suas rotinas.

Kelly Castilho – Cami Marder – Luana Génot – Bru Galliano

Projetos que incentivam mães empreendedoras

No Brasil, existem cerca de 24 milhões de negócios liderados por mulheres. Mas empreender no país é uma tarefa um pouco complexa e com muitos passos a serem seguidos. Afinal, todas essas ideias foram idealizadas visando ajudar a essas mães a darem o start em seus empreendimentos. Pois alguns projetos existem com o objetivo de apoiar quem deseja conciliar maternidade e business. 

Conheça algumas iniciativas que podem contribuir para a sua trajetória de mãe e empreendedora: 

Maternativa – é a primeira startup do país que trabalha com o impacto social voltado para a relação de mães com o trabalho. Além disso, a rede conta com um grupo no Facebook. Além de realizar workshops para firmar e incentivar o networking entre mulheres com filhos. 

Rede Mulher Empreendedora – é a primeira rede de apoio do Brasil que conecta mulheres através de atividades empreendedoras. Inclusive, a capacitação e a troca de experiências femininas são alguns dos pontos fortes da plataforma que também tem um marketplace.

B2Mamy – a aceleradora de tem como objetivos criar conexões entre empreendedoras mães de grande alcance com outras mulheres que têm seus negócios. Através de atividades de pesquisa e educação, a B2M realiza cursos, workshops e mentorias para o desenvolvimento feminino.

  • Tags

  • O fantástico mundo da colagem
    28.07.2021 • Lifestyle
    Falar de colagens é falar de uma forma livre e espontânea de se fazer ...
    saiba mais
  •   Construir uma relação com o mercado de trabalho mais saudável p...
    saiba mais
  • Julho não é só o mês onde as festas julinas e de suas comidas delicios...
    saiba mais
  • compartilhar post

    posts relacionados

      MARIA FILÓ © 2017 Todos os direitos reservados.