O blog da Maria Filó

Em busca da batida perfeita

Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, absorvendo a Mary Zander, até que ela se tornou DJ de vez. A craque em montar playlists para os amigos sem compromisso engatou na carreira por acaso, a convite de um produtor de festival. “Tocar me preenche, me faz feliz, me carrega de energia vital. Faço com amor e sinto orgulho. Me sinto forte dentro da cabine”, revela Mary, que também é ex-modelo.

Hoje moradora de NY, ela revela como foi parar na cidade que nunca dorme, conta qual é a sua playlist favorita, o que tem ouvido ultimamente e dá dicas espertas por aqui. Bateu curiosidade? Leia nosso papo delicioso.

Conta um pouco sobre sua trajetória.
Sou formada em desenho industrial pela PUC. Durante o período da faculdade, me desdobrava entre estudante e modelo. Tranquei a matrícula algumas vezes para trabalhar fora do país, mas voltei, concentrei e consegui concluir o curso. Fazia muita publicidade na época, tinha um jeitão para a coisa. Ainda jovem fui morar sozinha. Curtia uma praia em Ipanema e trabalhava bem com a falta de rotina. Foi de uma forma orgânica que virei DJ. Passei a viajar muito pelo Brasil e pelo mundo mixando discos. Virei muitas noites, acumulei milhas, perdi casamentos de grandes amigos, me senti sozinha, me diverti… e foram mais de 15 anos nessa batida. Morei em Buenos Aires, Londres, voltei para o Brasil e engravidei do meu primeiro filho. Era hora de desacelerar, de buscar uma rotina. Segui tocando para marcas, participando de eventos mais corporativos. Foi assim que encontrei uma fórmula para trabalhar com música e ter horários menos malucos. Abri com mais três sócios uma empresa de music branding, a RGFM, onde desenvolvemos rádios customizadas para todos os tipos de negócios.

Como e quando você começou a tocar?
Tudo começou nos anos 2000, meio que por acaso. Sempre curti música, fazia playlist para os amigos, gravava mixtapes, botava música nas festinhas do povo da moda, embalava os chill out das raves. Era algo que eu fazia com amor, mas sem compromisso. Até que um dia o telefone tocou, era um produtor de uns dos maiores festivais de música eletrônica da época. Um DJ famoso havia cancelado e meu nome veio à tona. Encarei o desafio e parece que meu repertório fez sucesso na noite. Saí do evento com um possível agente. O cara me pegou pelo braço e deu o seguinte conselho: eu precisava ter técnica, aprender a mixar bem, só assim seria reconhecida no meio da cena eletrônica, eu deveria aposentar os CDs e tocar com discos de vinil. Me matriculei num curso de DJ, comprei as pick ups, passei a frequentar as lojas de discos toda semana… o resto é história!

E como foi parar em NY?
NY é uma aventura em família, cada vez que vinha visitar a cidade com meu marido, ficávamos os dois imaginando como seria morar com os pequenos aqui. Lembro tanto da gente olhando fotos de apês para alugar nas vitrines das lojas, até que um dia meu marido resolveu mexer os pauzinhos, contatou um headhunter e, seis meses depois, ele estava contratado por uma agência de publicidade e, sem pensar muito, arrumamos as malas e viemos, os quatro, morar nessa cidade vertical, frenética e intensa. NY é desejo realizado!

Foi por acaso? Ou sempre quis seguir essa carreira?
Foi por acaso. Nunca me imaginei DJ de profissão. Na época em que comecei, não havia todo esse glamour. Já toquei em muita cabine minúscula, dentro do bar, do lado da cozinha. A coisa toda evoluiu muito.

Qual é a sensação de tocar?
Tocar me preenche, me faz feliz, me carrega de energia vital. Faço com amor e sinto orgulho. Me sinto forte dentro da cabine.

Como foi o processo de descoberta do seu estilo como DJ?
Quando comecei, curtia tocar down tempo, low fi, trip hop, lounge… mas fui seduzida pela house music, com sua levada 4×4, que embala as pessoas na pista. Por toda sua potência na pista de dança, foi o que me levou a virar DJ de house. Uma música para cima, cheia de nuances, vocais, texturas e groove. Sou filha da house music!

O que a música representa para você?
A primeira arte.

Quais são as top 5 músicas da sua playlist agora?
Grease – Frankie Valli
All I Do Is Think About You – Tammi Terrell
Yes Baby Yes – Mo’ Horizons
Times Moves Slowly – BADBADNOTGOOD, Samuel T.Hering
Go Back – Tony Allen e Damon Albarn

Se não fosse DJ, o que seria?
Hair stylist.

Qual conselho você dá para quem pensa em seguir a profissão?
Se inspire em algum DJ/produtor, busque saber como foram os passos dele(a) na carreira. Abra a cabeça e os ouvidos para escutar muita música. Encontre o seu estilo. Não desista se for a profissão dos seus sonhos.

Pingue-pongue:
Uma festa…
Rara, na cidade maravilhosa. Feita por gente que tem amor à música.
Um(a) DJ… Nunca vou esquecer de um DJ set do duo Groove Armada, em Londres. Foi chão, chão, chão!
Uma playlist… Jasmine, no meu Spotify.
Um estilo musical… Jazz e todas suas vertentes.
Melhor descoberta de 2018… o termo “pescaterian” (peixetariana) – feito para mim, que só como peixe!
Artista mais ouvido por você em 2018… Caetano Veloso.
Um tesouro da música… Guillaume and the Coutu Dumonts, amo muito.

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