O blog da Maria Filó

Marfa, Texas

“Tough to get to. Tougher to explain. But once you get here, you get it”

Marfa é uma cidade inesperada, excêntrica e com uma atmosfera muito particular. Localizada no deserto bem “West” do Texas, perto das bonitas montanhas do Big Ben National Park. Limítrofe à fronteira dos Estados Unidos com México, Marfa surge com uma delicadeza de cinema, como uma flor no deserto seco, árido e quente, como a sutileza de uma Paris dentro do grande republicano Texas.

A cidade para lá de contemporânea ganhou fama quando o artista plástico minimalista, Donald Judd,  em 1970, cansou da vida apertada do Soho, NY, e propôs à mulher, herdeira de uma grande empresa de petróleo, a se mudarem para um lugar mais tranquilo, com mais espaço aonde ele pudesse expressar sua arte sem limites físicos. Marfa surgiu porque Donald já tinha passado por lá  durante um exercício militar e se encantou com sua amplitude e simplicidade (adjetivos antagônicos à sua Nova York.)

A arte de Judd e suas obras na Chinati Foundation – fundação que administra o legado do artista – acabam sendo complementares a outras coisas que a charmosa e misteriosa Marfa entrega: o relacionamento com a arte de uma forma tão expressiva e natural; a mistura de tribos do espírito gentil do texano com artistas renomados e estilosos; a riqueza minimalista e natural do deserto e seu céu conhecido com o “the darkest deapest sky”, o mais bonito dos EUA.

Marfa se transformou num centro tão importante de arte, que além da opção para meros mortais de voar para El Passo, a cidade possui um aeroporto privado. Algo discrepante para uma cidade de 2000 habitantes com apenas um sinal de trânsito.

Embarcamos de Houston para El Paso (2 horas de voo) numa quinta-feira, marido bem desconfiado, mas topando a aventura. A viagem seria longa, 3 horas no deserto de uma imensidão árida e horizontal, parecia um episódio de Breaking Bad ou um filme de John Wayne. Estava preparada com um acervo de botas, looks countryside, lanterna, água e uma dose de expectativa.

A cidade oferece poucas opções, porém atende bem todo tipo de orçamento. Como queríamos passar pela verdadeira experiência “Wild West”, optamos pelo Hotel El Cosmico e em 5 minutos eu estava completamente apaixonada. Eleito pela Forbes como um dos 10 mais cools de 2018 e pela Men’s Magazine como um dos 10 mais bonitos dos Estados Unidos, a experiencia de se hospedar lá é um capítulo à parte.

Do mesmo Bunkhouse group, o El Cosmico oferece cabanas, tendas, trailers com uma infraestrutura simples e ainda dá a opção de se acampar na grama com sua própria barraca. Escolhemos o trailer com ar condicionado (sim, o calor estava de matar) e chuveiro “privativo” ao ar livre. E abraçamos o espírito.

Tomei vinho branco em taça de plástico, curti a luz da lua na varanda, dancei no karaokê mais roots da minha vida, tomei banho ao ar livre, usei shampoo de vinagre para não poluir o meio ambiente e por aí vai… Estava tudo indo muito bem, eu me sentindo uma verdadeira country girl superadaptada ao velho oeste, até um raccoon enorme tentar invadir nosso trailer. Nesse momento percebi que ainda teria uma longa caminhada até evoluir assim e isso era apenas uma oportunidade da vida para aproveitar os três dias de liberdade no deserto.

“Marfa forces you to work on yourself, like it or not”

Marfa tem algo peculiar, singular, de ter uma receptividade com absolutamente qualquer tribo. Todos são bem-vindos. É comum no mesmo restaurante ter um cowboy de botas, cinto fivela e chapéu, bebendo uma texan beer e uma curadora de arte elegante vestindo um jeans, camisa social branca, tênis Golden Goose tomando um rosé da Provance.

É tanta inspiração no ar, uma frequência de energia diferente do mundo inteiro, que mexe bastante com o circuito interno do corpo.

Eu já tenho saudade de Marfa.

Aqui vou deixar algumas dicas para quem topar essa aventura.

Como chegar:

  • Pousar no aeroporto de El Passo
  • Alugar o carro em El Passo e seguir viagem com atenção a Polícia da fronteira.
  • Abastecer o carro, não tem tantos postos pelo caminho.
  • Ter sempre passaporte à mão por ser muito perto da fronteira com o México.

Informações importantes:

  • Em agosto tem o Marfa Lights;
  • Domingo nada abre, se programar para chegar na quinta;
  • Muitos restaurantes trocam horários, bom checar;
  • Algumas lojas ou bares só aceitam cash;
  • Hidratar sem parar. Por estar no deserto. tudo fica realmente seco;
  • Dia muito quente e noite muito fria. Bom checar as datas de visita para não se surpreender com os extremos;
  • Botas são fundamentais nas estradas e passeios, não é à toa que cowboy usa. Vimos alguns sinais de alerta para cobra;
  • Só tem uma farmácia na cidade, e quando chegamos por lá, tinha um bilhete do dono dizendo que ele havia ido para Vegas e já voltava… No último dia, o bilhete ainda estava por lá. Bom se planejar;
  • Bebida dá mais onda porque estamos em 1 milha de altitude.

Onde comer

  • Aster, uma casa com a cozinha aberta, atende bem para um café da manha simples, mas muito gostoso;
  • Capri, premiado pela CONDE NAST Traveller um dos restaurantes mais estilosos do mundo. Drinks muito bons e um ambiente para quem curte um VM bem interessante;
  • Convenience West, BBQ clássico texano, vale a experiência. Pedi um brisket sandwich, o melhor que já comi na vida;
  • Stelina, excelente opção para um almoço ou jantar, simples, mas sofisticado. Sentamos no balcão.
  • Food Shark, um foodtruck bem bacana. Beyoncé passou por lá e aprovou.

Para uma noitada bem cowboy real life, vale MUITO a pena ir no Lost Horse Saloon. Difícil até de entender o inglês.

Galerias:

Chinati Foundation, muito cool adquirir um produto por lá. A loja possui livros exclusivos e algumas lembranças com preços bem acessíveis. Do site, extraí o conteúdo abaixo que fala por si só.

“Be sure to take your time with ‘100 untitled works in mill aluminum’, one hundred metal boxes with the same outer dimensions but slightly different interiors. Judd installed these formidable works in two former artillery sheds he adapted specifically for the pieces.

Ballroom Marfa

Lojas:

The Get Go Grosserie, supermercado maravilhoso! Casal superhipster, o marido usa peças bem vintages e ela uma simpatia. Uma vibe ‘largamos tudo em NY e escolhemos a paz de uma cidade pequena’.

Communitie – Eu adorei essa loja! Peças contemporâneas, bem cortadas, estampas criativas… uma curadoria bem montada de produtos com bossa. As tags das roupas vêm com a foto da pessoa que produziu. Muito bacana. Pedras preciosas com significados foram minha aposta.

Marfa Book Company – Fica no Hotel Saint George, vale a visita. Muitos livros de arte e um VM bem lindo, cara de cidade cosmopolita.

Cobra Rock Boot Company – Botas e artigos em couro, todos feitos em um processo extremamente artesenal.

Raba Marfa – Estava fechada durante nossa estadia, mas as resenhas são ótimas e vale uma visita.

Onde ficar:

El CosmicoGlamping maravilhoso. Ajuda a sentir toda a vibe cósmica da cidade. Recomendo o trailer com ar condicionado e chuveiro particular, porém a céu aberto, o que torna a experiência completa. É menos disruptivo e, para quem for mais aventureiro, tem tendas supercharmosas também.

Hotel Paisano – Onde Elizabeth Taylor e o James Dean ficaram na filmagem do filme Giant, em 1956.

Hotel Saint George – Ficando lá ou não, vale como base de refresh durante o dia para um expresso com água gelada. E ainda oferece o único spa day com piscina na cidade. Vale a pena para dias muito quentes.

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